Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 05/11/2022

A filósofa francesa Simone de Beauvoir afirma que “o mais escandaloso dos escândalos é que nos acostumamos a eles”. De maneira análoga a isso, tem-se, no Brasil, a naturalização da predominância masculina no cenário esportivo. Nesse contexto, destacam-se aspectos importantes na manutenção da problemática, como a inoperância governamental e a falta de debates sobre o assunto.

Sob essa ótica, é inegável que a negligência estatal, na elaboração de políticas públicas que incluam efetivamente as mulheres no esporte, acentua gravemente o problema. A esse respeito, o sociólogo alemão Zygmunt Bauman fomulou o conceito “Instituição Zumbi”, que refere-se a instituições que deixaram de cumprir seu papel. Da mesma forma, o Estado, ao falhar na garantia de igualdade entre homens e mulheres no desporto, opera como zumbi, conforme a ideologia de Bauman.

Ademais, a nulidade de debates sobre o revés faz com que sua resolução se distancie de forma marcante. Sob esse viés, o teórico francês Michel Foucault elaborou a construção “Hegemonia dos Discursos” para explicar como algumas teses se sobressaem a outras, resultando no silenciamento de pautas importantes. De modo semelhante, a desigualdade de gênero no esporte, por ocupar uma posição insignificante na hierarquia foucaultiana, é apagada das discussões. Sendo assim, é inadmissível manter, em pleno século XXI, esse cenário perverso.

Portanto, mudanças são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, o Ministério da Cidadania deve, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, desenvolver políticas de inclusão feminina no contexto esportivo, com auxílio de profissionais de educação física, além de articular campanhas para disseminar informações sobre o tema, promovendo sua visibilidade nos debates, a fim de construir uma sociedade igualitária e consciente.