Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 11/11/2022

De acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “Cidadanias Mutiladas”, a democracia só é efetiva quando a atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. No entanto, o Brasil, apesar de possuir uma constituição que garante, em seu artigo quinto, a isonomia entre homens e mulheres, tem tido dificuldades em aplicar suas normas de forma ampla. Esse cenário nefasto, que cria obstáculos para a inserção de mulheres no meio esportivo, é fruto não apenas de uma inércia estatal, mas também de um machismo estrutural.

Precipuamente, é fulcral pontuar a insuficiência de ações governamentais que visem garantir às mulheres uma igualdade material em relação aos homens no âmbito esportivo, com vistas a proporcionar uma equiparação nas condições de treinamento e de salário. De acordo com o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população. Nessa linha de raciocínio, é natural que, perante a falta de políticas públicas mais firmes, as mulheres não consigam ter a mesma facilidade em imergir numa realidade de prática esportiva.

Ademais, é imperativo inferir a realidade de machismo estrutural com a qual convive-se no Brasil como importante na construção dessa problemática. Segundo o filósofo Immanuel Kant, a educação é responsável por moldar o homem, tornando-o quem é. Dessa forma, a falta de interesse, por parte das instituições educacionais e familiares, em reeducar as pessoas a respeito do papel da mulher na sociedade, corrobora para que elas sejam colocadas em uma conjuntura de constante pressão e sobrecarga. Outrossim, esse contexto é fundamental na imposição de barreiras que impedem a inserção de mulheres na cena esportiva.

Portanto, cabe ao Ministério da Cidadania adequar os programas de incentivo ao esporte à realidade feminina, por meio da construção de ambientes de prática de exercícios próximos às creches e bairros residenciais, a fim de que as mulheres não precisem realizar grandes deslocamentos para se exercitar, de modo a evitar que as mesmas não precisem se ausentar das atividades cotidianas. Além disso, cabe a figura masculina compreender seu papel na família como equiparado ao da mulher. Assim, pode-se criar uma democracia efetiva, como vislumbrou Santos.