Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo
Enviada em 11/11/2022
Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo garante os mesmos direitos e obrigações a todos, sem distinção de qualquer natureza. Entretanto, os obstáculos que dificultam as mulheres de participar ativamente do âmbito esportivo, impede que os brasileiros usufruam desse direito constitucional. Com efeito, a solução do problema pressupõe que se combata não só a invisibilidade das mulheres neste campo, mas também a omissão do Estado.
Diante desse cenário, a barreira para inserção fragiliza a dignidade feminina e humana. Nesse sentido, a Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela ONU - assegura que todos os indivíduos fazem jus a direitos básicos, a exemplo a liberdade de expressão. Ocorre que, no Brasil, as mulheres estão distantes de vivenciar o benefício previsto pelas Nações Unidas, sobretudo por conta de exclusão social. Assim, se elas continuarem tratadas como invisíveis, os direitos firmados em 1948 permanecerão como privilégios.
Ademais, a inércia estatal inviabiliza a participação das cidadãs. A esse respeito, o filósofo inglês John Locke desenvolveu o conceito de “Contrato Social”, a partir do qual os indivíduos deveriam confiar no Estado, que, por sua vez, garantiria direitos inalienáveis à população. Todavia, a dissensão evidencia que o Poder Público brasileiro se mostra incapaz de cumprir o contrato de Locke, na medida em que não há uma inserção feminina nos esportes. Desse modo, enquanto a omissão estatal se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com uma das mais cruéis mazelas para as mulheres: ficar às margens dos homens.
É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para combater a falta da incorporação das moças. Nesse sentido, as escolas - responsáveis pela transformação social - devem ensinar às meninas a reivindicar melhorias em relação á insertação, por meio de projetos pedagógicos, como aulas, oficinas e gincanas. Essa iniciativa terá a finalidade de romper a inércia do Estado e de garantir que o tratamento digno previsto pelas Nações Unidas deixe de ser, em breve, uma utopia no Brasil.