Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 28/11/2022

No filme “Ela é o cara”, percebe-se uma garota se reformulando esteticamente, vestindo-se de homem, para apenas ter enfim o direito de jogar futebol sem sofrer preconceito. Trazendo para realidade, enfrentamentos constantes do sexo femini-no contra a padronização de esportes restritos a gênero é recorrente, sendo, o ma-chismo e a falta de integridade governamental, obstáculos para inserção das mu-lheres no cenário esportivo.

Primeiramente, há de se constatar o machismo como um dos principais obstá-culos, no qual, a proibição e fragilização sobre as mulheres, as restringem de certas atividades. Sob tal óptica, a realidade do machismo pode ser sintetizado pelo pen-samento da escritora romena Carmen Silva, a qual afirma que “Uma mulher é ape-drejada pela ação que poderia ter sido praticada por um homem perfeito.” Logo, se entende que mesmo tendo capacidade, ou até mesmo, superioridade da mulher em realizar alguma ação restrita à visão dos machistas, estas são julgadas e inferio-rizadas por tal feito. Posto isso, temos o machismo como um preconceito estrutural que gera atraso cultural, impossibilitando a igualdade de gênero e inserção da mu-lher no panorama esportivo.

Outrossim, engendra-se um descontentamento político, que no passado consi-derou o futebol como um esporte impróprio para as mulheres, as impedindo de jo-gar por lei em meados de 1941 ao fim de 1979, devido um decreto de Getúlio Var-gas que considerava o esporte inadequado para as mulheres em virtude de suas “condições de natureza”, especificamente a maternidade. Nesse cenário, é lícito re-ferenciar o pensamento da jornalista Lu Castro, a qual, na obra “Futebol Feminista -Ensaios”, afirma que a mulher em campo é um ato político impulsionado por reivin-dicações do movimento feminista e atrasado por políticas machistas.

Portanto, observa-se um preconceito presente na estrutura da sociedade, atin-gindo até mesmo o poder democrático, desta maneira dificultando a inserção da mulher no cenário esportivo. Cabe, então, uma parceria entre movimentos feminis-tas e o poder Legislativo (órgão responsável por propor leis), de modo a assegurar a participação da mulher na política por meio de conferências nacionais, a fim de estabelecer um país mais democrático e igualitário.