Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo
Enviada em 26/04/2023
No filme “Ela é o cara”, a protagonista se vê forçada a assumir a identidade de seu irmão para alcançar seu sonho de jogar futebol profissionalmente. Semelhan-temente ao filme, atletas brasileiras são, com frequência, desconsideradas e desva-lorizadas no cenário esportivo. Nesse contexto, é evidente que os obstáculos que enfrentam se fundamentam na objetificação feminina, trazida pela mídia, e na permanência do ideal de fragilidade da mulher.
Em primeira análise, a influência midiática na objetificação da mulher é um agra-vante na impopularidade do esporte feminino. Em 2020, um time americano de vôlei feminino perdeu grande parte dos patrocínios, após a divulgação de uma notícia que criticava a alteração de seu uniforme, que passou a cobrir as coxas das jogadoras. Em luz desse acontecimento, conclui-se que o valor do time estava asso-ciado a aparência fisica das mulheres e não às suas habilidades esportivas. Dessa forma, a falta de popularidade de times femininos se propaga de forma sútil e devastadora, guiada pela elite que cria a notícia.
Ademais, a falta de divulgação sobre anatomia feminina perpetua desinforma-ções sobre a fragilidade da mulher. Na natureza, leoas são mais rápidas e resis-têntes, tornando-se, assim, responsáveis pela caça e proteção. No meio científico, percebe-se um padrão semelhante em femeas de várias espécies, incluindo a espécie humana. Sendo assim, o conceito arcáico, que valoriza somente a força física e nomeia o homem como o gênero mais forte, é a base da exlusão das mu-lheres do meio esportivo. No entanto, como demonstra a natureza e a ciência, velo-cidade e resistência tornam as mulheres igualmente áptas para o esporte.
Portanto, é necessário que o Ministério da Cultura produza conteúdos e eventos educativos, a serem divulgados por meio da televisão e redes sociais, com a finalidade de educar a população a respeito de inverdades associadas ao corpo e as capacidades das mulheres. Tais conteúdos devem ensinar sobre as diferenças e qualidades da anatomia feminina. Só assim deixaremos de lado a guerra entre identidade feminina e masculina para valorizar o melhor da identidade humana.