Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo
Enviada em 17/07/2025
Na canção “Principia”, o cantor Emicida se pergunta o porquê de o Brasil ser tão amargo, se é a “casa da cana-de-açúcar”. Essa antítese é evidenciada, na realidade vigente, ao se observar os obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo. Nesse sentido, o desinteresse estatal e o silenciamento da questão sustentam esse quadro amargo.
Diante desse panorama, é importante destacar que o desinteresse do poder público ocorre porque o governo não visualiza retorno financeiro. Segundo o filósofo Nicolau Maquiavel, o maior objetivo dos governantes a manutenção do próprio poder, não o bem-estar social. Por isso, o Estado não investe em recursos que auxiliam no treinamento e no monitoramento físico das atletas, há a ausência de investimento de equipamentos adequados e há a ausência de profissionais esportivos à disposição dessas mulheres, o que ocasiona a falta de treinos e resultados de qualidade.
Ademais, é importante salientar o silenciamento da problemática. De acordo com a Djamila Ribeiro - socióloga expoente brasileira -, é necessário retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Com isso, partindo da visão da pensadora, é visível que há uma escassez de debates quanto a importância de acabar com os obstáculos para inserção das mulheres no esporte, porque a falta de visibilidade gera preconceito, discriminação e consequentemente, aumenta o machismo estrutural que ocorre com as mulheres no cenário esportivo, onde mostra que apenas o homem tem o poder e o dever de ser atleta, diminuindo a entrada das mulheres no esporte.
Portanto, é necessário que essa conjuntura seja dissolvida. Para isso, o Governo Federal - órgão responsável pelo bem-estar social - deve, por meio de investimentos governamentais e em parceria com o setor midiático, veicular, em TV aberta, a importância de acabar com os obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo. Tal medida, tem como objetivo tirar o Estado de sua postura omissa, bem como ampliar a discussão sobre o tema, a fim de que haja uma mobilização social para a construção de políticas públicas eficazes. Então, a “casa da cana-de-açúcar” deixará de ser amarga.