Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo
Enviada em 28/05/2025
No filme “Jogo Perigoso”, a protagonista Jessie Burlingame precisa superar seus limites físicos e psicológicos para sobreviver, mostrando que a força feminina vai muito além dos estereótipos. Assim como na ficção, na realidade brasileira, as mulheres enfrentam inúmeros obstáculos para se inserirem e permanecerem no cenário esportivo, principalmente devido à resistência sociocultural e à ausência de políticas públicas eficazes. Nesse sentido, é fundamental compreender como a manutenção dessas barreiras prejudica o desenvolvimento esportivo e social do país. Analogamente à essa perspectiva, é importante ressaltar que essa resistência sociocultural, responsável por limitar a presença feminina no esporte, está relacionada à perpetuação de estereótipos de gênero. Conforme analisa Simone de Beauvoir, “não se nasce mulher, torna-se mulher”, indicando que papéis atribuídos ao gênero feminino são construções sociais. Esse pensamento ajuda a entender como o esporte foi historicamente associado ao masculino, dificultando a valorização das mulheres enquanto atletas e restringindo sua participação em diversas modalidades. Retomando essa reflexão de que os papéis de gênero são socialmente moldados, é possível perceber, na prática, como essa construção resulta em desigualdades concretas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 28% das mulheres praticam esportes regularmente, índice bem inferior ao dos homens. Esse cenário revela o impacto da falta de estímulo e da ausência de políticas públicas que incentivem a participação feminina desde a infância, como projetos esportivos em escolas e comunidades. Assim, as mulheres permanecem afastadas de um espaço que deveria ser inclusivo e igualitário. Sob essa análise, cabe ao Ministério do Esporte, em parceria com as Secretarias Estaduais de Esporte, desenvolver programas de incentivo à prática esportiva entre mulheres, por meio da criação de centros de treinamento acessíveis, da ampliação de competições femininas e da promoção de campanhas midiáticas que desconstruam estereótipos de gênero. Essas medidas são essenciais para que mais mulheres possam ingressar e permanecer no cenário esportivo, superando os obstáculos históricos e contribuindo para uma sociedade mais justa e igualitária.