Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 28/05/2025

Desde a Grécia Antiga, onde os Jogos Olímpicos excluíam mulheres da competição, o esporte tem sido historicamente marcado por uma lógica patriarcal que relega o protagonismo feminino. Apesar dos avanços sociais e das conquistas de atletas no-táveis, como Marta no futebol e Daiane dos Santos na ginástica, a inserção das mu-lheres no cenário esportivo ainda encontra barreiras estruturais, culturais e midiá-ticas. Nesse contexto, é imperativo discutir os obstáculos enfrentados por elas, os quais perpetuam a desigualdade de gênero nesse meio.

Em primeiro plano, destaca-se o preconceito enraizado na sociedade, que associa o esporte à virilidade e à força física, atributos tradicionalmente vinculados ao mas-culino. Essa visão limitada não apenas desestimula o ingresso de meninas em mo-dalidades esportivas desde a infância, como também invisibiliza os feitos de atletas mulheres ao reforçar a ideia de que o esporte não é um lugar para elas. Pierre Bourdieu, sociólogo francês, explicita esse processo ao conceituar o “habitus”, que molda comportamentos e percepções com base em estruturas sociais internaliza-das, fazendo com que a ideia do esporte como um domínio masculino seja perpe-tuada e assimilada, inclusive pelas próprias mulheres.

Além disso, a disparidade na cobertura midiática contribui para a subvalorização do esporte feminino. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelou que menos de 5% das transmissões esportivas na televisão aberta são dedicadas às mulheres. Tal ausência de visibilidade impacta diretamente no acesso a patrocínios e investimentos, limitando o desenvolvimento de suas carrei-ras e reforçando a percepção de que o esporte feminino tem menor relevância ou interesse para o público.

Diante desse cenário, torna-se essencial uma intervenção. O Ministério do Esporte, em parceria com o Ministério da Educação, deve implementar programas de incentivo à prática esportiva entre meninas nas escolas, por meio de oficinas extra-curriculares com foco na valorização da diversidade de gênero. Além disso, é neces-sário que a Agência Nacional do Cinema (ANCINE) crie editais específicos para a produção de conteúdo audiovisual voltado à difusão do esporte feminino, promo-vendo visibilidade para alcançar um cenário verdadeiramente inclusivo e justo.