Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 29/05/2025

Assim como a heroína chinesa Mulan, que se disfarça de homem para lutar no e-xército e provar seu valor em um ambiente dominado por homens, as mulheres no cenário esportivo contemporâneo ainda precisam superar barreiras invisíveis para ter seu talento e dedicação reconhecidos. Apesar dos avanços em direitos e visibili-dade, a realidade atual ainda impões desafios que impedem a plena participação feminina em diversas modalidades. A perpetuação de esteriótipos de gênero, a dis-paridade na infraestrutura e nos investimentos e a persistência da violência e do assédio continuam a configurar os principais entraves para a ascensão e perma-nência das mulheres no esporte.

Primeiramente, um dos princípais desafios a efetiva participação feminina no es-porte reside na enraizada perpetuação de esteriótipos de gênero e na evidente dis-paridade na infraestrutura e nos investimentos. A ONU Mulheres e o Comitê Olím-pico Internacional (COI) publicaram um estudo em 2021 que apontou que, global-mente, menos de 10% do tempo de transmissão e espaço editorial é dedicado ao esporte feminino, cenário que se reflete no Brasil. Essa invisibilidade impede que a sociedade reconheça o valor e a força das atletas, obscurencendo seu talento.

Ademais, não se pode negligenciar o impacto sombrio da prevalência da violência e do assédio, que minam a confiança e a segurança das atletas. Um estudo, da Uni-versidade de Toronto, em 2020, que analisou casos globais, revelou que mais de 50% das atletas já sofreram algum tipo de assédio ou abuso (seja sexual, moral ou psicológico) ao longo de suas carreiras. No Brasil, esse problema é acentuado pela subnotificação, causada pelo medo de retaliação e pela ausência de mecanismos eficazes de proteção e denúncia.

Em suma, para superar os esteriótipos, a disparidade estrutural e a violência no esporte, o Governo Federal, junto ao Ministério do Esporte, deve intensificar a fisca-lização e investimento em infraestruturas e bolsas para atletas femininas, garantin-do a equidade de condição e remuneração, conforme a Lei de Incentivo ao Esporte. Além disso, entidades esportivas precisam implementar rigorosos códigos de con-duta e fortalecer ouvidorias sigilosas para combater o assédio, promovendo denún-cia e punição efetiva. Assim, um futuro mais justo no esporte se torna possível.