Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 30/05/2025

Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um documento chamado a Constituição Cidadã, cujo conteúdo garante o direito à igualdade de oportunidades no esporte a todos. Entretanto, a persistência do machismo estrutural e da desigualdade de gênero nas práticas esportivas impede que os brasileiros usufruam desse direito constitucional. Com efeito, a solução do problema pressupõe que se combata não somente a invisibilidade das mulheres atletas, mas também a omissão do Estado.

Diante desse cenário, a exclusão feminina no esporte fragiliza a dignidade humana das mulheres que desejam atuar ou se destacar no meio esportivo. Nesse sentido, a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura que todos os indivíduos fazem jus a direitos básicos, a exemplo do acesso igualitário às práticas esportivas e ao reconhecimento profissional. Ocorre que, no Brasil, as mulheres no esporte estão distantes de vivenciar o benefício previsto pelas Nações Unidas, sobretudo por conta de estigmas culturais, falta de patrocínio e representatividade feminina em cargos esportivos de liderança. Assim, se as mulheres atletas continuarem tratadas como invisíveis, os direitos firmados em 1948 permanecerão como privilégios.

Ademais, a inércia estatal inviabiliza o combate à exclusão esportiva de gênero. A esse respeito, o filósofo John Locke desenvolveu o conceito de “Contrato Social”, a partir do qual as pessoas deveriam confiar no Estado, que, por sua vez, garantiria direitos inalienáveis à população. Todavia, a barreira à inserção esportiva das mulheres evidencia que o Poder Público brasileiro se mostra incapaz de cumprir o contrato de Locke, na medida em que não fomenta políticas públicas de incentivo à participação feminina em diversas modalidades esportivas, o que representa grave problema.

É urgente, portanto, essencial adotar medidas para combater a desigualdade de gênero no esporte. Portanto, agentes de transformação social, devem incentivar meninas e jovens mulheres a exigir seus direitos por meio de projetos como palestras, oficinas e ações comunitárias. Com isso, será possível quebrar o ciclo de omissão estatal e aproximar o Brasil do ideal de igualdade previsto pela ONU