Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 30/05/2025

Apesar de o esporte ser frequentemente exaltado como símbolo de superação e união, ele ainda reproduz desigualdades históricas — entre elas, a exclusão das mulheres. No Brasil, a inserção feminina no cenário esportivo ainda enfrenta entraves estruturais e culturais. Segundo dados do IBGE, mulheres representam apenas 12% dos cargos de liderança esportiva no país. Diante disso, destacam-se dois principais obstáculos: a persistência do machismo estrutural e a escassez de políticas públicas eficazes. Como bem pontuou Simone de Beauvoir, “basta uma crise para que os direitos das mulheres sejam questionados” — e, no esporte, essa crise parece permanente.

O primeiro obstáculo é cultural: o esporte ainda é visto como território masculino. Desde cedo, meninas são desencorajadas a praticar atividades tidas como “de menino”, como futebol ou lutas. A mídia reforça esses estereótipos ao dar mais visibilidade a atletas homens e desvalorizar conquistas femininas. No filme “Desafiando Gigantes”, a figura feminina mal aparece, refletindo uma realidade comum: mulheres são coadjuvantes até mesmo nas narrativas de superação. O machismo, assim, afasta potenciais atletas antes mesmo do primeiro treino.

Além disso, a ausência de políticas públicas efetivas limita o acesso feminino ao esporte. Iniciativas como o Bolsa Atleta, embora relevantes, não priorizam a inclusão de meninas em situação de vulnerabilidade. A filósofa Angela Davis destaca que “quando a mulher negra se movimenta, toda a sociedade se movimenta com ela”. Contudo, sem investimento e programas de base voltados à equidade de gênero, essa movimentação se torna impossível. Assim, a exclusão persiste de forma institucionalizada.

Portanto, é urgente que o Ministério do Esporte (Brasil, 2025) implemente políticas afirmativas, como cotas para mulheres em cargos esportivos, incentivo à prática esportiva feminina nas escolas públicas e campanhas midiáticas que valorizem atletas mulheres. A atuação de ONGs com foco em gênero e esporte também pode ampliar esse alcance. Como afirmou a tenista Billie Jean King: “A pressão é um privilégio” — mas só se todas puderem jogar.