Organismos transgênicos em questão no Brasil
Enviada em 24/10/2019
A Revolução Verde, iniciada após a Segunda Guerra Mundial, é marcada por inúmeros avanços tecnológicos, que têm o objetivo de melhorar as práticas agrícolas para obter maior produtividade. Um dos frutos desse processo, foi o desenvolvimento da biotecnologia, responsável pela criação do transgênico, organismo modificado em laboratório (OMG). É fato que essa descoberta representa um importante evento para a humanidade e tem contribuído em vários quesitos, no entanto, esse tema tem sido alvo de debates, uma vez que pouco se é falado sobre os perigos que causa. Desse modo, faz-se necessário compreendê-los.
Observa-se, em primeira instância, a falta de informações concretas disponíveis à população sobre como os produtos transformados afetam negativamente a vida dos indivíduos. Conforme o sociólogo Karl Marx, em uma sociedade capitalista, a busca constante por lucro excede valores morais e éticos. Dessa forma, muitas vezes, há a existência de um lobby por parte das empresas, usado para encobrir dados e proteger interesses. O documentário “O mundo segundo a Monsanto” mostra como essa multinacional escondeu e manipulou resultados, para que os OMG’s fossem comercializados sem uma pesquisa que analisasse suas ameaças à vida dos consumidores.
Deve-se abordar, ainda, a forma que os alimentos modificados geneticamente (AMG’s) têm acometido quem os consomem. Tendo em vista, que durante a criação são inseridos o gene de um ser em outro, são formados novos compostos que acabam não sendo especificados nos rótulos, devido à aprovação do Projeto de Lei da Câmara 34/2015, que dispensa essa identificação. Assim, muitas pessoas ingerem essas substâncias em plantas e vegetais, por exemplo, sem conhecimento, o que provoca reações em grande parcela da população. O Instituto de Nutrição de York, na Inglaterra, em 1999, realizou uma pesquisa que constatou o aumento de 50% na alergia a produtos à base de soja, afirmando que poderia ser devido à planta alterada.
Infere-se, portanto, a premência de ações que reduzam as consequências e alertem a comunidade a respeito do uso de AMG’s no Brasil. Logo, é imperioso que o Ministério da Agricultura, em conjunto com o da Ciência e Tecnologia, realize estudos mais rígidos por meio de enquetes e análises, a fim de garantir a segurança na utilização dos mesmos. Outrossim, deve, juntamente com o Conselho Nacional de Biossegurança, efetivar programas midiáticos informativos, por meio de redes sociais e da televisão, a respeito de como funcionam as diferentes formas de transgenia e seus efeitos, além de identificar os produtos adulterados nas embalagens, com o intuito de gerar a opção de escolha aos compradores. Dessa maneira, espera-se reduzir os impactos negativos dessa prática.