Organismos transgênicos em questão no Brasil

Enviada em 22/05/2020

Organismos transgênicos são organismos geneticamente modificados, o que significa que eles possuem genes de outras espécies, conferindo características diferentes das habituais, normalmente vantajosas. Nesse contexto, há muito tempo discute-se as vantagens e desvantagens desses alimentos na esfera ambiental e social, sendo importante entendê-las.

Em primeira instância, é necessário destacar que o surgimento de espécies transgênicas ocorreu na década de 70 devido ao desenvolvimento da técnica de DNA recombinante e da engenharia genética. Esses instrumentos permitiram a criação de alimentos modificados mais resistentes à herbicidas, promovendo morte de pragas sem prejudicar a planta, o que permite maior rentabilidade e aumento da produção. Essa característica gera debates quanto aos problemas ambientais causados, como perda de biodiversidade e contaminação de sementes, rios e solos, já que não há isenção do uso de pesticidas. Isso é comprovado por dados de um artigo da editora Abril, que apontam o Brasil como o segundo maior produtor de alimentos transgênicos e o segundo maior consumidor de agrotóxicos, os quais não acabam apenas com as pragas, mas com o meio, além de prejudicar cultivos tradicionais que podem ser extintos. Portanto, percebe-se que, em prol de lucro, coloca-se o meio ambiente em risco.

Outrossim, é importante ressaltar que há diversos questionamentos quanto aos problemas de saúde que o consumo de transgênicos pode gerar. Por esse viés, algumas pesquisas foram feitas na Universidade de Caen e os pesquisadores concluíram que não há risco. Entretanto, o Greenpeace e o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) afirmam que as consequências do uso desses alimentos a longo prazo ainda são desconhecidas. É relevante apontar o fato que os organismos modificados podem causar alergias e são cotados como potenciais cancerígenos, principalmente por serem regados de agrotóxicos com substâncias dessa natureza, como comprovado pela Anvisa, em uma amostragem de cesta básica na cidade de São Paulo, em 2014, a qual concluiu que quase um terço tinha agrotóxicos já proibidos ou em quantidade maior do que a permitida por lei. Assim, nota-se a falta de responsabilidade dos agricultores e empresas com a população, podendo prejudicar a saúde de todos.

Diante do exposto, é notório que, apesar de promover grande produção, ser um caminho no combate à fome entre outros fatores positivos, os alimentos geneticamente modificados também trazem riscos e problemas graves. Dessa forma, para mudar essa situação, as empresas agricultoras devem estudar os riscos do consumo desses organismos, por meio de pesquisas que apresentem resultados concretos, como a relação direta dos organismos com determinadas doenças, a fim de tornar essa atividade, não só lucrativa, mas também segura.