Organismos transgênicos em questão no Brasil
Enviada em 27/05/2020
A modernização da agricultura foi necessária para atender a crescente demanda populacional e na década de setenta, o aumento da produção de alimentos só foi possível graças ao desenvolvimento da engenharia genética. Contudo, devido à falta de informações claras a respeito dessa técnica, uma série de polêmicas surgiram para questionar sua confiabilidade. Com isso, faz-se necessário entender as condições políticas e econômicas que envolvem esse debate, além das possíveis consequências do consumo de alimentos geneticamente modificados no aspecto nutricional e social.
Em primeiro plano, é válido analisar os reais interesses por trás da Revolução Verde de 1950. Nesse sentido, o que surgiu como uma politica de combate da fome, não passou de uma medida política dos países desenvolvidos para entrar no mercado agrícola a partir da comercialização de tecnologias. Prova disso é que, mesmo após setenta anos da famigerada revolução, a desnutrição continua sendo uma questão de nível mundial e os líderes na produção de alimentos são, no geral, empresários que buscam nos transgênicos uma alternativa lucrativa de produção em larga escala de gêneros como a soja, utilizada como ração animal.
Além disso, as consequências dessa política de interesses podem ser avassaladoras a longo prazo. Diante disso, o desenvolvimento de alergias e o déficit nutricional desses alimentos, possíveis efeitos segundo agentes da Geenpeace, somado à competição desleal dos produtos transgênicos com os naturais no mercado interno criam um cenário prejudicial às camadas mais vulneráveis economicamente. Logo, a difusão dos transgênicos deu-se de maneira irresponsável, não considerando os potenciais danos na sociedade, o que constitui com o que Pierre Bourdieu definiu como “Violência Simbólica”, uma agressão que ultrapassa os limites físicos.
Dado o exposto, é mister popularizar informações a respeito dos alimentos geneticamente modificados. Cabe, portanto, ao Ministério da Saúde, por meio da parceria com o Conselho Federal de Nutricionistas, desenvolver uma campanha de aprimoramento nutricional, a partir da qual a população compreenderá as questões que envolvem o consumo de transgênicos, além formas de identificar e evita-los, a fim de superar polêmicas e deixar que o cidadão decida, conscientemente, que tipo de dieta seguir. Além disso, é dever do Ministério da Agricultura criar um plano de diminuição de impostos sobre os produtos naturais com vistas a tornar o mercado interno menos desigual.