Organismos transgênicos em questão no Brasil
Enviada em 31/05/2020
De acordo com os dados do Serviço Internacional para a aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), o Brasil é o segundo maior produtor mundial de Alimentos Geneticamente Modificados (AGM). Entretanto, junto com as melhorias da tecnologia, tal incorporação de organismos transgênicos tem potencial de acarretar problemas no âmbito social, econômico e de saúde pública do país. Isso ocorre ora devido à oligopolização no cenário agrícola, ora em decorrência de projeções de problemas à saúde da população à longo prazo.
A priori, é imperioso relacionar o controle por poucas empresas com os dados divulgados pelo professor Paulo Brack, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Segundo o pesquisador, o mercado foi tomado por sementes transgênicas, em que o agricultor não possui mais a possibilidade de fazer sua própria semente, tendo que pagar royalties para as empresas. Nessa lógica, com falta de competição justa entre pequenos agricultores e grande empresas agrícolas, acarretou uma indireta obrigatoriedade de aquisição da transgenia, ocasionando a perda da liberdade econômica e de escolha do produtor, tornando-o marionete do oligopólio, que controla os preços das sementes.
A posteriori, é imperativo concatenar futuros problemas de saúde com dados de Gilles-Eric Seralini. Conforme o professor da Universidade de Caen, na França, durante sua pesquisa, em que alimentou camundongos com alimentos transgênicos, percebeu que eles sofrem de câncer com mais frequência e morrem antes que os demais. Sob esse viés, devido ao grande potencial financeiro e poder detido pelas empresas portadoras da engenharia genética de alimentos, permitiu-se a venda de produtos transgênicos sem a devida certeza de seguridade à saúde dos consumidores.
Depreende-se, portanto, a essencialidade de maior cautela e controle para com os produtos geneticamente modificados. Necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União (TCU), direcione capital que, por intermédio do Ministério da Agricultura, seja revertido no desenvolvimento de pesquisas na área da transgenia e programas de auxílio a pequenos produtores. Isso deve ser feito por meio da contratação de engenheiros agrônomos, que busquem alternativas de um maior controle produtivo de modo a evitar a total monopolização da alimentação por parte de empresas privadas. Em suma, cabe a Anvisa exigir das empresas produtoras de transgênicos que comprovem, por meio de experimentos, que o produto vendido não trará prejuízos a saúde do consumidor, caso contrário, proibir a venda. Com a finalidade de tornar o impacto dos produtos geneticamente modificados positivos e graduais, de forma a amenizar possíveis prejuízos sociais, econômicos e evitar problemas de saúde. Dessa forma, o Brasil poderá se orgulhar de ser o segundo maior produtor de AGM do mundo.