Organismos transgênicos em questão no Brasil

Enviada em 29/05/2020

Os alimentos geneticamente modificados provocam calorosos debates acerca de seus benefícios e malefícios. Isso decorre da polarização de interesses existentes entre os que são a favor e os que não. Assim sendo, é importante refletir sobre seu uso tendo como ponto de partida a sobreposição da vida e da ética em relação a aspectos econômicos.

Indubitavelmente, todo avanço científico merece atenção. Todavia, quando envolve atividades que possam prejudicar o meio ambiente e os seres nele presentes, há a necessidade de uma cautela especial. Pois a produção e utilização indiscriminada de produtos transgênicos podem comprometer gravemente as condições de saúde de seus consumidores. Isso é resultado da alteração genética, que, por possuírem um DNA incorporado sinteticamente, pode não ser fonte segura para o consumo e desencadear complicações patológicas no organismo que as ingerir. Bem como, desencadear uma série de agressões à natureza, quando seu solo é empobrecido ou biodiversidade reduzida em decorrência da prática intensiva e extensiva do cultivo de alimentos transgênicos.

Embora possa ser economicamente mais viável, o emprego de organismos que sofreram alteração gênica não deve persistir como prática recorrente. Afinal, essa é uma maneira que o setor privado do respectivo ramo aufere lucro às custas do risco que sua atuação industrial proporciona. Dessa forma, interfere em interesses ainda mais relevantes socialmente, como a saúde pública e preservação da natureza. Vale ressaltar que desde 2012, a taxa de mercadorias agrícolas geneticamente modificadas foi superior a 50 por cento. Com destaque à soja, que é a mais exportada pelo Brasil, com alcance de 89%. Nesse sentido de priorizar o interesse humano ao econômico, é válido lembrar do que já afirmava Carl Gustav Jung “conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana”. Já que o avanço científico, nesse caso, é o responsável pelo crescimento financeiro. O que é plausível, desde que não deixe de priorizar o lado humano.

Diante do exposto, é notório que deve haver um controle efetivo e criterioso sobre a utilização da transgenia. Para tanto, cabe ao Poder Público, mediante o Congresso Nacional, editar lei federal que regulamente a maior limitação possível sobre o cultivo de alimentos com modificações genéticas. Obedecendo estudo prévio de verificação por cientistas da área para delimitar quantidade que seja inócua. Bem como, o investimento pelo Ministério da Saúde em divulgação de publicidade, destinada à população, que enfatize os riscos que as comidas com genética alterada apresentam, por meio de televisão e site oficial do governo. Assim, certamente será possível mudanças a longo e curto prazo.