Organismos transgênicos em questão no Brasil
Enviada em 30/05/2020
O filme “O poço” retrata um experimento social desenvolvido em um prédio monumental e isolado do restante mundo, no qual a comida desce por uma plataforma de andar em andar. Todos teriam o que comer se comessem somente o necessário, mas não o fazem. Os andares superiores desperdiçam a comida incentivados pela insegurança alimentar e experiências prévias de fome que aniquilam qualquer solidariedade que possa existir, ao passo que os inferiores morrem por inanição. Análogo a esse cenário fictício, a própria insegurança alimentar brasileira trata-se de um problema de ordem socioeconômica, e os polêmicos transgênicos poderiam ser parte da solução se deixassem de ser vistos como prejudiciais à saúde.
Primeiramente, o fato de a economia brasileira depender em grande parte da agroexportação e ter uma fronteira agrícola em franca expansão deixa claro que a fome no Brasil não é causada pela falta de alimentos, e sim pela má distribuição de renda, consequentemente, a insegurança alimentar se faz realidade nas comunidades de baixo poder aquisitivo. O uso dos transgênicos torna-se uma opção cabível ao proporcionarem o aumento da produtividade das colheitas sem encarecer os produtos. Entretanto, os receios a respeito das ciências genéticas e da possibilidade de prejuízos à saúde, mesmo que não comprovada pelos cientistas, freiam o uso destes alimentos modificados.
Além disso, o uso cada vez mais indiscriminado de agrotóxicos, permitido pelo governo federal, é outra questão problemática que poderia ser corrigida por modificações genéticas. Os danos provocados pelo consumo destes insumos, ao contrário do caso dos transgênicos, já se tratam de uma verdade consolidada pelo respaldo científico e poderiam ser evitados pela produção laboratorial de sementes e plantas resistentes a pragas que dispensariam os venenos.
A infundada má reputação dos OGM’s, organismos geneticamente modificados, portanto, dificulta a sua utilização para a resolução de questões reais, como a fome e os agrotóxicos, em detrimento de se evitar prejuízos especulativos que eles possam vir a causar. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Educação, e outros órgãos governamentais competentes, crie projetos de financiamento a pesquisas de engenharia genética, como bolsas de estudo aos mestrandos e doutorandos brasileiros, para que se findem as especulações com respostas concretas sobre as implicações dos transgênicos na saúde a longo prazo. Assim, soluções teóricas, tais quais as citadas, poderão ser desenvolvidas na prática com segurança e serão evitados os cenários catastróficos como o do filme, em que a humanidade se perde em face da presença insólita da fome.