Organismos transgênicos em questão no Brasil
Enviada em 31/05/2020
Novas tecnologias sempre geram incerteza na população, e os organismos geneticamente modificados (OGM) estão obviamente inclusos. Dentre estes, os produtos transgênicos têm sido alvo de muitas especulações quanto à segurança do seu consumo, que muitas vezes ignoram declarações de autoridade - como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), que garantem que esses alimentos são seguros para a saúde humana. Entre os rumores, os principais receios são a possibilidade de que estes tragam consequências desconhecidas à saúde, perda de biodiversidade e empobrecimento dos solos.
Todavia, estudos a longo e curto prazo não evidenciam nenhum risco à saúde nem danos ambientais. De acordo com o Prof. Dr. Franco Lajolo, 2º vice-presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), levantamentos em cima dos estudos nos últimos 25 anos não apenas relatam a ausência de efeitos adversos como confirmam a segurança dos alimentos transgênicos. E, segundo Marx Lima, biólogo e doutor em biotecnologia pela UFPE, há evidências de benefícios ambientais, já que uma das características modificadas aumenta a produtividade por área, e consequentemente, requere uma área de plantio menor, diminuindo também a área a ser desmatada.
Contudo, há também a preocupação quanto ao uso de pesticidas e herbicidas, declarados pela OMS como cancerígenos. Responsáveis pelas pesquisas sobre efeitos de agrotóxicos afirmam que o atributo genético modificado reduziu o uso de inseticidas, mas encoraja o uso de mais herbicidas. Porém, de acordo com Lima, geralmente são utilizados genes que aumentam a resistência a herbicidas, portanto requerem menos herbicidas que os organismos convencionais (não modificados). Além disso, um dos relatórios de uma pesquisa feita em 2016 da The National Academies Press, “Genetically Engineered Crops”, afirma que há evidência de que as plantações de OGMs resistentes a insetos trazem benefícios à saúde humana ao reduzir o uso de inseticidas e pesticidas e que não há diferenças em relação aos danos à saúde entre a ingestão de OGMs e não modificados.
Dito isso, é indubitável que o posicionamento desconfiado da população é apenas uma reação ao até então desconhecido. Entretanto, é importante frisar que os transgênicos não se limitam às plantas. Existem inúmeros microrganismos de origem transgênica, como por exemplo, grande parte da insulina consumida por diabéticos é de origem transgênica. A população apenas não está familiarizada com o quanto a alteração genética já está presente no seu cotidiano. Basta apenas incentivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para que organizações como a SBAN, FA e OMS passem a divulgar mais informações com cada vez mais naturalidade ao público leigo.