Organismos transgênicos em questão no Brasil

Enviada em 31/05/2020

Na década de 1990, o mundo começou a comercializar Organismos Geneticamente Modificados (OGM) com a premissa de aumentar a resistência e a qualidade dos alimentos, de diminuir o uso de agrotóxicos e de combater a fome no mundo. Entretanto, mesmo com o avanço dos transgênicos, que de acordo com o Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia já ocupam mais de 10% da área agricultável do mundo, o uso de agrotóxicos e a fome persistem ao longo dos anos no Brasil. Dessa forma, é necessário analisar os impactos dos transgênicos na agricultura e o destino da produção desses alimentos no país.

Antes de tudo, é importante salientar que a produção de OGM não diminui o uso de agrotóxicos. Nesse sentido, ainda que, segundo a revista Exame, o Brasil tenha aumentado para 53,1 milhões de hectares de produção de transgênicos em 2020, o uso de agrotóxicos no país cresce a cada ano, figurando como a nação que mais consome essas substâncias no mundo. Ademais, embora a resistência às pragas aconteça inicialmente, reduzindo a necessidade de pesticidas, após algum tempo, devido à seleção natural, surgirão superpragas que precisarão ser combatidas com toxinas ainda mais nocivas ao meio ambiente do que as anteriores. Desse modo, os transgênicos não só contribuem para o aumento do uso de agrotóxicos, mas também interferem no ciclo natural do ecossistema.

Outrossim, diferente do prometido, o combate à fome não é uma das prioridades do cultivo de OGM. Essa realidade fica evidente quando observa-se o fato de o Brasil destinar a maioria da produção de soja, que já é mais de 92% transgênica de acordo com a Céleres, para exportação ou para produção de ração animal. Contraditoriamente, ainda que o país seja o maior produtor de carne de gado, alimentado principalmente com ração transgênica, e o segundo maior produtor de soja, infelizmente, parte desses alimentos não é destinada para os cerca de 5,2 milhões de brasileiros que passam fome segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Sendo assim, o principal foco da indústria dos OGM no Brasil é o comércio, não o combate à fome.

Levando em conta o exposto, é mister que medidas sejam tomadas para melhorar o uso dos OGM no país. Portanto, cabe ao Estado financiar pesquisas em universidades que busquem produzir transgênicos que de fato sejam resistentes às pragas, dessa maneira, reduzindo o uso de agrotóxicos e afetando menos o ecossistema. Além disso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deve criar leis que destinam parte da grandiosa produção agrícola brasileira para o abastecimento de instituições de caridade, também financiadas pelo Ministério, especializadas em alimentar pessoas em estado de subnutrição pelo país, assim, efetivamente combatendo a fome.