Organismos transgênicos em questão no Brasil
Enviada em 16/09/2024
Na obra O Princípio Responsabilidade, o filósofo Hans Jonas destaca a necessi-dade de equilibrar o poder tecnológico com a ética. Essa perspectiva é essencial ao avaliar os impactos dos organismos geneticamente modificados no Brasil. Dessa forma, é crucial analisar a responsabilidade ética para garantir que o uso de trans-gênicos seja seguro, tanto do ponto de vista da saúde quanto do meio ambiente.
É mister ressaltar, em primeira instância, que a ausência de estudos sobre os e-feitos futuros dos organismos geneticamente modificados no bem-estar humano representa um perigo. Nesse aspecto, o sociólogo Ulrich Beck afirma que as des-cobertas tecnológicas geram uma sociedade permeada por riscos desconhecidos. Dessa maneira, a falta de dados sobre os efeitos, a longo prazo, desses organismos levanta preocupações sobre possíveis consequências adversas que podem não ser imediatamente visíveis, mas que têm potencial para afetar profundamente a saúde humana. A título de exemplo, o Relatório da Agência Nacional de Vigilância Sani-tária (ANVISA) reconhece a necessidade de estudos adicionais para monitorar os efeitos a longo prazo dos OGMs.
Outrossim, a expansão da monocultura resultante do uso de transgênicos tam-bém afeta negativamente os ecossistemas. Devido a isso, a possibilidade de mani-pular geneticamente organismos levou o ser humano a adotar práticas artificiais para maximizar o lucro nas plantações, muitas vezes em detrimento da diversidade ambiental. Nesse contexto, conforme dados do Ministério da Agricultura, o Brasil é o maior exportador de algodão do mundo. Embora essa conquista seja notável do ponto de vista econômico, do ponto de vista ambiental, o cultivo extensivo de al-godão implica a destruição da vegetação nativa para uso exclusivo do algodão.
Diante do exposto, acerca dos impactos da utilização dos transgênicos no Brasil, é imperativo que medidas sejam tomadas. Logo, o governo, responsável pelo bem- -estar social, deve alocar 10% do Produto Interno Bruto para investir na contrata- ção de cientistas e fiscalizadores. Esses profissionais realizarão estudos frequentes e detalhados sobre os riscos a longo prazo dos transgênicos e fiscalizarão sua utili-zação no país, com o objetivo de garantir a segurança da saúde humana e ambien-tal. Assim, a sociedade demonstrará a responsabilidade enfatizada por Hans Jonas.