Os danos provocados pelo machismo à vida dos homens
Enviada em 19/07/2022
No seriado “Brooklyn 99”, o detetive Charles Boyle ficou conhecido por quebrar estereótipos ao se apresentar como um personagem masculino sensível e afetuoso. Percebe-se que, dentro das telas, tal comportamento é tratado com naturalidade por seus colegas. Porém, longe da ficção, o machismo faz com que o cenário encontrado divirja daquele presente na nonagésima nona delegacia, o que contribui com inúmeros problemas, como a perpetuação arcaica de condutas sociais designadas de acordo com o sexo e a alta incidência de homens que negligenciam suas questões emocionais.
A priori, vale salientar os malefícios fomentados à humanidade pelo chamado machismo estrutural. Segundo Simone de Beauvoir, o conceito de gênero não passa de uma construção social, ou seja, as delimitações de papeis femininos e masculinos dependem de vínculos sociais. No entanto, a estruturação patriarcal a qual rege a sociedade é machista, fazendo com que exista a propagação de ideais heteronormativos que não só prejudicam as mulheres, como também os homens. Ao disseminar pensamentos antiquados, tendo por exemplo a famosa frase “homem não chora”, a sociedade cria padrões comportamentais nocivos que resultam em hábitos destrutivos.
Além disso, a masculinidade tóxica proveniente do machismo traz também um impacto negativo acerca da saúde masculina, sobretudo a mental. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 76% dos suicidas são do sexo masculino. É fato que, por causa do modelo de homem viril inventado pela população, esses indivíduos se recusam a lidar com as emoções, negando tratamento terapêutico. Na série “Dois Homens e Meio”, por exemplo, Charlie Harper questiona sua sexualidade quando busca o auxílio de uma psiquiatra.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. É dever da mídia, por ser o veículo mais capaz de atingir grandes massas, desenvolver campanhas e produções culturais que desmitifiquem convicções machistas, com o intuito de desconstruir conceitos preestabelecidos na sociedade. Só assim a raça humana poderá evoluir, criando mais Charles Boyle e menos Charlie Harper.