Os danos provocados pelo machismo à vida dos homens
Enviada em 10/08/2022
Desde a Idade Antiga, na grande maioria das culturas, o homem sempre fora colocado em um lugar de poder e de superioridade em relação à mulher, sendo o seu comportamento difinido como um padrão a ser seguido por todos os homens. No entanto, tal generalização e obrigação retira do indivíduo a sua especificidade e a sua liberdade de viver conforme a sua característica individual. Nesse sentido, faz-se necessário que o machismo vigente seja abandonado, uma vez que fere os direitos da mulher e acarreta danos severos à vida do homem.
Em primeiro plano, cabe destacar que a prática machista não é intrínseca ao homem. Dessa forma, conforme John Locke, o indivíduo nasce como uma página em branco e vai formando sua identidade de acordo com o que lhe é ensinado no ambiente em que vive, logo, o homem aprende a ser homem ao longo de sua vida. Portanto, a sociedade, ao aceitar a masculinidade tóxica, compactua com todos os prejuízos que ela traz consigo, como a inferiorização da mulher e a negligência do homem consigo mesmo, uma vez que este é quem mais sofre com a violência e com a menor expectativa de vida no Brasil.
Nesse sentido, o machismo prejudica tanto a vida das mulheres que são diariamente vitimadas pelos abusos físicos e mentais, quanto aos próprios homens. Sob esse aspecto, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o índice de suicídio entre homens é consideravelmente maior se comparado às mulheres, o que é um reflexo da banalização desse mal na vida daqueles que são impedidos de viver sua humanidade de forma pura. Logo, é notório que tal prática de subjugação da mulher ao homem fere a ambos, tanto no direito à vida -pelo feminicídio e pelo suicídio, respectivamente-, quanto na qualidade da saúde física ou psicológica.
Destarte, é evidente que a ideologia machista é prejudicial ao corpo social. Por isso, cabe às escolas, reverter essa forma de pensar e agir, por meio de debates críticos com profissionais da saúde e da antropologia, que estimulem a criticidade quanto aos hábitos estruturados na sociedade e, assim, eliminem progressivamente o machismo perverso vigente desde a antiguidade.