Os danos provocados pelo machismo à vida dos homens

Enviada em 31/08/2022

A música “Real Men”, da cantora nipo-americana Mitski, descreve como um homem ideal deve se comportar de acordo com a sociedade misógina. Em “Homens de verdade não precisam de outras pessoas/ E homens de verdade engolem o choro”, a cantora faz uma crítica aos comportamentos tóxicos que são internalizados nos homens e contribuem para a persistência do machismo, sendo essencial a superação do problema. Assim, é evidente a necessidade de debater sobre a rotulação dos gêneros e a negligência à saúde, duas consequências da questão.

Primeiramente, tem-se a relação entre as funções sociais e a tradição. Segundo o filósofo Emmanuel Kant, “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, o que ressalta a influência do meio e dos valores culturais na designação e na aceitação das normas sociais, tais como a visão da mulher dona de casa e do homem provedor de sustento. Tais posições hierárquicas limitam a população em rótulos e legitimam a censura àqueles que são irregulares ao considerado “adequado”, formando gerações de homens que semeiam a violência e a masculinidade tóxica como um modo de se encaixar nesse padrão.

Além disso, os padrões sociais definem os estereótipos de comportamento impostos na população masculina, que podem afetar na qualidade da sua saúde física e mental. De acordo com o relatório da Opas, a masculinidade tóxica reduz a expectativa de vida dos homens em até 5,8 anos, o que põe em evidência o subdesenvolvimento da inteligência emocional dos homens, uma vez que não aceitam se tornar dependentes de alguém. Dessa forma, essa atrofia emocional provém da internalização das construções sociais preconceituosas, manifestando-se na forma de negligência própria e em transtornos psicológicos.

Portanto, para resolver essa problemática, o Ministério da Educação deve incentivar o desenvolvimento emocional e o senso crítico nos jovens, por meio de um projeto de desconstrução dos valores da masculinidade tóxica, a fim de ensiná-los a se expressar de maneira saudável e a questionar os preconceitos estruturais. Dessarte, o machismo não irá obrigar os “homens de verdade” a continuarem com o ciclo de toxicidade.