Os danos provocados pelo machismo à vida dos homens

Enviada em 10/10/2022

No conto “A Bela e a Fera”, a personagem Gaston representa as características masculinas socialmente valorizadas - virilidade, força e insensibilidade. Esse padrão gera uma busca incessante por um ideal que não existe. Tal obsessão fomenta as bases do machismo estrutural, que gera danos à vida dos homens, principalmente nos âmbitos da saúde física e mental.

No quesito da saúde, quando comparado às mulheres, os homens tendem a deixar de lado exames de prevenção, resultando em maiores taxas de doenças. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, morrem 42 homens ao dia, vítimas de câncer de próstata. O exame “de toque”, realizado para prevenir tal enfermidade, é estigmatizado como “coisa de viado”, por ser erroneamente relacionado ao sexo anal. Dessa forma, verifica-se como a masculinidade frágil relaciona-se diretamente à problemas de saúde, que poderiam ser facilmente evitados.

Em relação à saúde mental, os homens tornam-se mais suscetíveis à doenças como a depressão, o abuso de álcool e drogas. Isso deve-se à pressão sofrida para manter certos tipos de comportamento. O conceito de “coerção social”, de Émile Durkheim, aplica-se perfeitamente ao cenário. O sociólogo diz que as formas de agir e pensar moldam-se conforme o pensamento coletivo. No caso do gênero masculino, há uma pressão para esconder quaisquer resquícios de sensibilidade, assim como é comum associar o uso de substâncias ilícitas a ideia de “macho alfa”, principalmente em adolescentes. Ambos os fatores influenciam no desenvolvimento de doenças mentais, que permanecem na vida adulta.

Dessa forma, para combater os danos provocados pela ideologia machista no corpo e na mente, o Ministério da Saúde e as escolas devem entrar em ação. O primeiro deve se utilizar de cartazes e as redes sociais para promover campanhas de conscientização sobre a prevenção de doenças, diminuindo o número de vítimas fatais. O segundo deve utilizar do espaço escolar para nutrir debates e palestras sobre esteriótipos e o uso de álcool e drogas, a fim de evitar a adoção de comportamentos prejudiciais pelos estudantes. Com tais medidas, há de se rebaixar Gaston a mera personagem, e não modelo a ser seguido, quebrando paradigmas e devolvendo o senso de liberdade plena aos homens.