Os danos provocados pelo machismo à vida dos homens
Enviada em 24/10/2022
No filme “O Segredo de Brokeback Mountain”, são retratados dois vaqueiros que se apaixonam, porém, reprimem seus sentimentos e seguem uma vida heterossexual, pois, a homossexualidade não era uma característica masculina. Saindo da ficção para o mundo contemporâneo, são muitas as situações que os homens precisam coibir seus sentimentos e seguir uma cartilha de comportamento. Todavia, tais regras são comumente reflexos de uma sociedade machista e tóxica. Diante desse cenário, faz-se necessário analisar os mecanismos e os danos provocados pelo machismo à vida dos homens.
De início, a repetição de velhas estruturas é causa para a persistência da temática. Segundo o filósofo Michel Foucault, a sociedade moderna é caracterizada pela disciplina, ou seja, as pessoas são constantemente treinadas e vigiadas para reproduzirem padrões. Sob essa ótica, atua a masculinidade tóxica, em que dogmas, como “homem não pode chorar” e “homens têm que ser fortes”, são repetidos à exaustão até serem incorporados ao corpo social. Desse modo, o controle comportamental faz com que os homens não possam exprimir seus sentimentos, o que pode causar transtornos psicológicos, como depressão.
Ademais, a função social do homem não guarda traços biológicos. Conforme a filósofa Judith Butler, a perfomatividade de gênero é uma criação da sociedade que determina os papéis de homens e mulheres. Nesse sentindo, a imposição comportamental, além de não ser biológica, causa severos danos a toda população. Dessa forma, o homem é amparado a crer que tem o poder sobre os demais e atitudes violentas e machistas são naturais, prejudicando a todos.
Depreende-se, portanto, que o machismo causa danos, não só, aos homens, mas também reflete-se em toda sociedade e urge ser combatido. À vista disso, é dever do Ministério da Saúde — órgão responsável pelas diretrizes médicas nacionais — atuar para reverter o preocupante quadro. Isso pode ser feito por meio de campanha publicitária que busque quebrar o paradigma da naturalização do machismo como algo inato, a fim de que os homens possam se expressar livremente sem receberem rótulos de “mais ou menos másculo”. Assim, situações como a de Brokeback ficarão restritas aos filmes.