Os danos provocados pelo machismo à vida dos homens

Enviada em 02/12/2023

Segundo o filósofo John Locke, o homem nasce como uma folha em branco, sem preconceitos e comportamentos pré-definidos, pois cabe à convivência social transformá-lo no ser esperado por aquela comunidade. Nessa lógica, padrões impostos pelo corpo social, como o machismo, causam danos à vida dos homens, pois exige que estes devam ser independentes, além de não demonstrarem fragilidade no meio onde são inseridos. Logo, a desconstrução do machismo deve ser fomentada no Brasil.

Diante desse contexto, pode-se afirmar que pessoas do gênero masculino são instruídas pela família a serem provedores deles mesmo e do lar, já que se espera delas independência financeira e emocional - terem poder de compra e de controle de suas emoções. Conforme a psicóloga Bárbara da Cunha, a infância é crucial para o desenvolvimento das persepções e dos conceitos que o indivíduo demonstrará na vida adulta. Nesse viés, a criança que convive num ambiente machista, deseja-se dela atos machistas. Assim, os que não se enquadram nesse esteriótipo são inferiorizados e discriminados.

Ademais, sabe-se que é imposto aos homens não expressarem suas emoções, como tristeza, angústia, amor, delicadeza, vaidades consideradas feminias, a não ser a raiva, a brutalidade e a competitividade. Dessa forma, o gênero masculino fica privado de se manifestar livremente, o que o mutila na sua psiquê. Tal entrave acarreta depressão e ansiedade - também duas manifestações psicológicas inadequadas ao homem, de acordo com a sociedade machista na fala do neurocientista António Damazio.

Portanto, é fundamental desconstruir o machismo estrutural vigente no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação e o da Saúde devem implantar o projeto “Homem também chora”, que incentivará a quebra de padrões machistas e a igualdade de gêneros. Tal ação ocorrerá por meio de discussões sobre o tema com especialistas das diversas áreas do conhecimento - por exemplo, psicólogos, psiquiatras, historiadores, antropólogos e filósofos, - nas redes sociais, nas salas de aula, nos postos de saúde, com o fim de que as pessoas desenvolvam percepções de suas ações machistas e as modifiquem para o bem comum.