Os danos provocados pelo machismo à vida dos homens
Enviada em 11/03/2025
O termo “red pill” ganhou destaque nos últimos anos por nomear um movimento que prega o “despertar” dos homens nos relacionamentos sociais e amorosos, nos quais as mulheres supostamente levam vantagem. Contudo, esses pensamentos, muitas vezes, são baseados em premissas erradas e machistas, de maneira a causar desinformação e ódio à vida dos homens que aderem a essa ideologia.
Diante desse cenário, cabe destacar o ideal de masculinidade na sociedade, em que o homem não deve demonstrar sentimentos. Nesse âmbito, o compositor Gonzaguinha contrapõe-se frontalmente a essa ideia na canção “Um homem também chora”, na qual destaca os dilemas na vida masculina, com destaque às imposições de valores sociais desde a infância até a vida adulta, e desafia a imagem de que ele deve ser sempre forte, inabalável e resistente às emoções. À vista disso, a determinação social de comportamentos específicos impede a realização do ser em sua plena potencialidade, de modo que a vida do homem torna-se miserável, devido a supressão de vontades e sentimentos do indivíduo.
Ademais, vale salientar a masculinidade tóxica e suas implicações. Sob esse viés, o filme “O clube da luta” ilustra muito bem como a repressão e a busca por dominação podem levar à violência e à autodestruição. Nessa perspectiva, o protagonista pretende preencher o seu vazio existencial por meio da violência, com a intenção de reafirmar a sua virilidade. Sob esse olhar, o desfecho trágico, com a autoextermínio, demonstra claramente como níveis patológicos de “masculinidade” são prejudiciais ao indivíduo. Assim, é importante destacar o equilíbrio, de forma que a significação da vida não seja reduzida a mera satisfação da vontade pessoal, mas sim, como uma realização empreendida em coletividade.
Portanto, é salutar combater os danos do machismo na vida dos homens. Para tanto, o Estado deve estimular a conscientização das pessoas sobre o problema, mediante a inserção dos temas respeito e igualdade no ensino brasileiro, por intermédio de uma educação crítica que questione e reformule conceitos antiquados sobre papéis de gênero, com a finalidade de combater o preconceito no país.