Os desafios da ausência de consciência de privilégios na sociedade

Enviada em 17/10/2025

Na obra “Cidadãos de Papel”, o jornalista Gilberto Dimenstain relata a distância entre os direitos garantidos pela Constituição e a realidade social, de parte dos bra-sileiros, marcada pela exclusão e indiferença. Com isso, hoje, esse livro retrata fiel-mente a situação que a nação se encontra, já que a falta de consciência de privilégi-os impõe desafios, como a ocultação de grupos marginalizados e a meritocracia.

Dado o exposto, é notável que essa falta de consciência acentua a exclusão social de grupos periféricos, haja vista o preconceito e a indiferença com que as pessoas privilegiadas tratam eles. Nesse viés, conforme a filósofa Sueli Carneiro, o epistemi-cídio, processo de desvalorização e silenciamento dos saberes das camadas margi-nalizadas, revela como a nação brasileira perpetua privilégios e desigualdades his-tóricas. Isso pode ser visto no descaso em que as enchentes recorrentes são trata-das, afetando comunidades periféricas no Brasil. Logo, o Estado precisa tomar açõ-es, como a criação da educação inclusiva, para atenuar o epistemicídio brasileiro.

Ademais, outro fator estabelecido pela ausência da consciência de privilégios é a lógica da meritocracia, pois essa visão acredita que o sucesso é exclusivo do mérito pessoal, ignorando as vantagens estruturais recebidas pelos privilegiados. Nessa óptica, no filme “Parasita”, Bong Joon-ho evidencia a ilusão dessa lógica, ao mostrar que o esforço dos pobres jamais se iguala aos privilégios dos ricos, revelando como o sucesso é fruto de oportunidades desiguais. Isso é mostrado pela crítica do dis-curso meritocrático à criação das políticas de cotas raciais e sociais nas universida-des brasileiras. Por fim, é preciso que o governo tome medidas, como o reforço de planos de equidade social, visando acabar com a ilusão citada na trama.

Portando, com o objetivo de vencer os desafios da falta de consciência de privilé-gios na sociedade, o Governo Federal deve assegurar o fim das desigualdades es-truturais. Isso pode ser feito por meio da melhoria da infraestrutura periférica, com a pavimentação das ruas, eficiente sistema de drenagem, saneamento básico e coleta de lixo, assegurando o fim das enchentes nas comunidades. Além disso, é preciso realizar campanhas educativas sobre privilégios, com propagandas periódi-cas nas redes sociais e debates nas escolas, entre professores, alunos e especialis-tas, atenuando a lógica meritocrática e a ideia de Gilberto Dimenstain.