Os desafios da ausência de consciência de privilégios na sociedade

Enviada em 16/09/2023

Os livros de história estão repletos de exemplos de sociedades construídas a partir de hierarquias sociais rígidas e bem estabelecidas , como no sistema feudal. Na contemporaneidade, nosso sistema evoluiu para algo mais miscigenado e de mais difícil distinção. Apesar dos incontestáveis avanços do capitalismo, este causa desafios de ausência em reconhecer os privilégios de cada pessoa.

No mundo globalizado da atualidade, muito é produzido com pouca mão-de-obra humana, se comparado com qualquer outro período histórico. Porém, a ideia de um país igualitário ainda permanece distante e utópico. Assim como no passa-do, os detentores de poder e riqueza permanecem preocupados com a estabilida-de e perpetualidade de seus capitais. Milton Santos, um dos maiuores geógrafos do mundo, expressava sua preocupação com o estado da sociedade brasileira. Milton analisou a existência de dois grupos - aqueles que têm fome e aqueles que não dormem pois têm medo dos miseráveis tomarem o que têm. Com isso em mente, é notável como o capitalismo, um sistema maleável e altamente mutável, aprendeu a esconder os privilégios existentes entre as classes sociais e trazer a ausência da consciência de privilégio para as massas.

Steven Pinker, famoso sociólogo, em seu livro “o novo iluminismo” descreve, com bases sólidas em estudos científicos, os avanços em escala mundial de bem-estar humanitário. Em suas ideias, estamos caminhando devagar, mas para um lu-gar de maior comodidade social. O Brasil tem seguido essa tendência, porém, ainda não perdeu o posto de uma das nações mais desiguais do mundo. É preciso primeiro consciência de todos desse problema para que haja a devida reparação.

Portanto, apesar de evidente a melhora da sociedade brasileira, para obter sus-tentabilidade humanitária e ainda mais avanços sociais, é necessário a diminuição das diferenças socioeconômicas e consciência daquilo que nos faz diferente. As de-sigualdades sociais brasileiras precisam ser destacadas pelo poder Executivo atra-vés da educação de base ao mesmo tempo em que são promovidos meios para re-verter essa situação, como acesso ao ensino técnico e superior. De forma imediatis-ta, por parte do Legislativo, urge a taxação de grandes fortunas como forma de re-gular o capital desbalanceado. Assim, poderá haver menores desigualdades.