Os desafios da ausência de consciência de privilégios na sociedade
Enviada em 10/09/2023
A Constituição de 1988 garante o direito de igualdade à todos os cidadãos brasileiros. Contudo, na contemporaneidade, essa prerrogativa é ignorada, tendo em vista os privilégios presentes em alguns grupos e a sociedade de reconhecer os mesmos. Sendo assim é necessário avaliar esse cenário tendo em vista as raízes histórica e sociais desse problema, a fim de que ele seja mitigado.
Sob essa ótica, o descaso com grupos marginalizados mascara a existência de privilégios. Para Gilberto Freyre, a miscigenação no Brasil teria tornado o país uma “Democracia Racial”. Por outro lado, ao refletir sobre as condições de vida dos afrodescendentes, marcada pelo empobrecimento, percebemos que essa afirmativa é falsa e advém da ausência de consciência acerca das desigualdades. Asism, tais teorias não só distorcem a realidade, como também impedem mudanças efetivas das injustiças sociais, servindo para a manutenção de estruturas de poder opressoras.
Outrossim, a falta de debate acerca dos costumes favorece a continuidade da ignorância acerca das próprias vantafens. O voto feminino, por exemplo, só foi instituído durante o governo de Getúlio Vargas e, até os dias atuais, a discriminação contra as mulheres permanece presente no discurso popular, mesmo após a garantia de diversos direitos. Similarmente, o mesmo ocorre com os demais preconceitos e iniquidades que, quando não há reflexão, se tornam estruturais em uma sociedade. Dessa forma, essa postura danosa para ambas as partes se mantém, à medida que aprofunda tensões e dificulta o convívio em comunidade.
Portanto, urge que o poder Estatal, em conjunto com o Ministério da Cidadania – órgão federal responsável pelo bem-estar dos cidadãos – promova, por meio de campanhas de conscientização, a reflexão acerca dos privilégios e desigualdade presentes no Brasil, a fim de que o reconhecimento destes seja alcançado pelo público. Além disso, o Ministério da Educação – responsável pelo estudo no país – deve, através de bolsas, financiar pesquisadores e estudiosos, fomentando a investigação das injustiças estruturais brasileiras, para que estas sejam analisadas e mitigadas, promovendo o convívio harmônico e fazendo cumprir a Constituição.