Os desafios da ausência de consciência de privilégios na sociedade

Enviada em 16/09/2023

A série “one piece” retrata um princípe de um reino, o qual vivia menosprezando a população mais pobre e desprovida de direitos, até que conseguiu possuir noção de sua posição privilegiada e passou a respeitar a todos. Essa conjuntura, não é dis-tante da realidade do Brasil, a qual a ineficácia da ação escolar somada à negligên-cia estatal, configuram-se como desafios da ausência de consciência de privilégios. Sendo assim, urge a necessidade de soluções inovadoras que venham mitigar es-sas complicações.

Sob essa análise, cabe ressaltar que a falta de conhecimento da população sobre o reconhecimento de seus privilégios finda por dificultar ainda mais essa questão, pois isso gera um estado de apatia em relação à luta do próximo. Nesse contexto, examina-se a ruptura da ideia proposta por Durkheim, o qual dizia que as escolas são responsáveis pela criação do ser social. Desse modo, uma reorganização estru-tural dessa instituição é importante, haja vista que os problemas sociais existentes se tornam mais complicados de serem resolvidos, por não haver uma mobilização geral da população de enfrentamento e busca pelos direitos democráticos.

Outrossim, é fulcral mencionar a importância de um Estado ativo na resolução de questões. Dessa forma, a ideia levantada pelo filósofo Bauman afirma que um ór-gão, quando posicionado de forma a ignorar sua atribuição original, se encontra em um estado de “zumbi”. Sob esse viés, o Estado brasileiro é análogo a esse con-ceito, visto que no que tange a criação de estratégias públicas que busquem falar sobre a importância de se posicionar politicamente em busca de atingir uma reali-dade democrática e mais igualitária entre todos, ele é ausente.

Depreende-se, portanto, que medidas são imprescindíveis para atenuar esse pro-blema. Para isso, o Ministério da Educação - como regulador das escolas no Brasil - deve promover a criação de debates sobre a importância de reconhecer suas rega-lias, por meio da contratação de profissionais da área de sociologia para agregar conhecimento. Ademais, o Governo, como mediador da lei, precisa fornecer mé-todos de divulgação de como ajudar o próximo e a relevância de atitudes como es-sa, através de incentivos fiscais para empresas da esfera das redes sociais. Assim, garantir-se-á uma realidade próxima da vivida pelo príncipe.