Os desafios da ausência de consciência de privilégios na sociedade

Enviada em 22/09/2023

No documentário “Raça, Pop e Poder”, a cantora britânica Leigh-Anne Pinnock, fala abertamente sobre sua experiência diante dos ataques racistas que sofreu durante toda a trajetória de sua carreira, fisicamente e verbalmente, os quais, inclusive, afetaram sua saúde mental e sua autoconfiança. Além disso, no longa, Pinnock encorajou pessoas predominantemente brancas a usarem seu privilégio em prol da luta antirracista, a fim de espalhar o movimento e reestruturar o pensamento da sociedade racista incompetente.

Fora da televisão, é notória a presença de casos similares ao do longa, visto que, atualmente, o racismo ainda é um dos principais problemas sociais do mundo, sendo demonstrado através de agressões físicas e verbais, como, por exemplo, a morte brutal e injusta do americano George Floyd, que foi bombardeado de chutes e pontapés por policiais brancos, além de gírias e expressões histórico-social preconceituosas, tais como criado-mudo e lápis cor de pele, resultado de uma sociedade desqualificada e desestruturada.

Outrossim, a criação autoritária de uma familia tradicional, também, possui um grande impacto no desenvolvimento e no surgimento do racismo, visto que, infelizmente, diversos adolescentes crescem reproduzindo atitudes preconceituosas dos próprios pais e, assim, há uma crescente de geração à geração. Na propaganda “Ninguém nasce racista: Continue Criança”, da Globo, um grupo de crianças, em grande maioria brancos, são entrevistadas por pessoas pretas, as quais obrigam-os a reproduzir expressões extremamente racistas, como cabelo de bombril, e, ao final da propaganda, os pequenos choram por não conseguirem reproduzir tamanha crueldade.

Portanto, o Governo, juntamente com ONGs ativistas, deve criar um projeto social visando implementar a valorização da cultura preta e o combate ao racismo por grupos privilegiados na sociedade, através da realização de palestras socioeducativas nas escolas e centros de todo o país, a fim de incentivar, promover e transformar a luta antirracista em um movimento coletivo, em que todos podem fazer parte e combater, juntos, como uma sociedade unida e não individualista. Logo, casos como o de Leigh-Anne serão cada vez mais raros.