Os desafios da ausência de consciência de privilégios na sociedade
Enviada em 28/09/2023
No documentário “Olhos azuis”, registra o experimento da socióloga Jane Eliott tratando os alunos com discriminação e ofensas a partir de suas características físicas. De maneira análoga, as minorias, como negros e mulheres, recebem o mesmo tratamento ríspido na sociedade, por não se enquadrar em um grupo ou classe social especifico. É necessário entender que a falta de consciência de benefícios mascara que a meritocracia funciona e reforça a desigualdade.
Sob esse viés, o termo meritocracia é usado de forma inadequada para encobrir privilégios no corpo social. Nesse sentido, em sua obra “Tirania do Mérito” redigida pelo filósofo Michael Sandel, enfatiza a contradição do discurso meritocrático criando uma cultura de perdedores e ganhadores. Nessa lógica, esse fato ainda impera no cenário brasileiro, tendo em vista que mulheres negras e brancas recebem salários diferentes conforme a pesquisa do FGV. Em consequência disso, percebe-se que o “mérito” foi criado para normalizar e justificar um cenário de exclusão. Em suma, fica evidente que a meritocracia é uma ilusão ideológica usada para a conservação de benefícios na sociedade.
Ademais, a desigualdade é um catalisador no discernimento de privilégios. Acerca disso, segundo a Constituição Federal de 1988 garante que todos têm direito a educação, saúde, alimentação. Todavia, esse princípio é revogado para as minorias brasileiras quando, segundo a ONU, a nação se encontra no sétimo país mais desigual do mundo, visto que, por exemplo, quanto menor a renda apresenta um declínio ao acesso aos produtos e serviços em um mundo capitalista e como consequência, acontece a discriminação de grupos coletivos que não consegue prover as necessidades básicas estabelecidas na Carta Magna. Desse modo, enquanto a discrepância social e econômica se mantiver alguns grupos sociais gozaram de privilégios em detrimento de outros.
Dessarte, em virtude desses nocivos episódios, é primordial atenuar o entrave abordado. Para tanto, as instituições escolares – a gente responsável pela formação do indivíduo – deve promover a conscientização das pessoas por meio de palestras e debates sobre a identificação dos privilégios e como amenizar esse problema na sociedade. Assim, afirmar seu direito de igualdade garantido na Constituição.