Os desafios da ausência de consciência de privilégios na sociedade
Enviada em 14/10/2023
Para participar da política em Atenas, na Grécia Antiga, era necessário ser homem filho de atenienses, fato que gerava a exclusão de mulheres, escravos e estrangeiros da vida política. Diante desse contexto, é notório que possuir privi-légios no meio social é uma prerrogativa histórica. Alem do mais, nota-se, atual-mente, a ausência de consciência de todos da presença e influência que eles cau-sam, como a geração de desigualdade e preconceito.
Em primeira análise, a falta de consciência dos privilégios que existem na socie-dade faz surgir as desigualdades, como por exemplo, as que estão no campo edu-cacional, e isso está relacionado ao atributo de ter uma boa condição financeira. Nesse sentido, os mais abastados podem ter acesso a uma educação básica efici-ente, o que facilita a entrada dos estudantes no ensino superior por meio dos vestibulares, já que tiveram a condição de ter uma boa preparação para essas provas, ao contrário dos mais pobres, que por não possuirem as mesmas oportu-nidades, sentem mais dificuldade de ingressar nas universidades, o que faz muitos desistirem da qualificação educacional, pois se sentem incapazes intelectual-mente. Entretanto, isso mascara a verdadeira causa do problema, que é as diferenças financeiras, uma vez que para Aristóteles, o homem tem por natureza a busca pelo saber, ou seja, todos são capazes de alcançarem o conhecimento.
Em segunda análise, essa problemática também produz preconceito, como a discriminação das favelas. Nesse pretexto, afirma-se que tais comunidades sur-gem em reflexo da urbanização e da segregação espacial que ela gera, na qual os mais pobres, sem chances de comprarem terrenos nas regiões centrais, optam por construir casas nos morros. Diante disso, os habitantes centrais, por falta de consciência dos privilégios que possuem, criminalizam os habitantes das favelas.
Conclui-se, portanto, que a ausência de consciência dos privilégios devem ser re-solvidas. Dessa maneira, o Estado, o qual exerce forte influência no indivíduo, deve, por meio das mídias sociais, gerar campanhas que mostrem a presença dos privi-légios no meio social, a fim de esclarecer para a sociedade que morar nas favelas não necessariamente deve estar ligado ao crime, mas a falta de oportunidades.