Os desafios da ausência de consciência de privilégios na sociedade

Enviada em 30/11/2023

O jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein denunciou em seu livro, “O cidadão de papel”, um conceito de cidadania frágil, que se mantém restrita apenas à teoria. Logo, o escritor escancara uma sociedade desigual, pois as garantias sociais não se concretizam para todos os indivíduos, como a lei prevê. Da mesma forma, a ausência de consciência de privilégios promove rupturas e apresenta como importante causa a segregação socioespacial, que promove uma consequente marginalização dos indivíduos menos favorecidos economicamente.

Em primeiro plano, a segregação socioespacial figura como relevante causa do problema apresentado, pois esse fenômeno urbano cria distanciamento entre realidades sociais distintas e isola indivíduos privilegiados em condomínios fechados e espaços estruturados, o que impede o contato direto com a desigualdade social dos demais e dificulta uma reflexão aprofundada sobre as dificuldades enfrentadas pelos que não usufruem do mesmo poder aquisitivo.

Além disso, a marginalização dos menos favorecidos instala-se como consequência do conformismo dos privilegiados, pois os cidadãos mais pobres não conseguem arcar com com os custos de uma moradia próxima aos grandes centros urbanos e acabam lidando também com a precariedade de infraestrutura do serviços públicos nas periferias. Logo, abismos se abrem entre classes socias distintas e limitam uma convivência entre elas que possibilitaria uma experiência de conscientização e empatia.

Nesse sentido, o Ministério das Cidades deveria criar um programa chamado “Integração socio-habitacional”, por meio do qual, conjuntos habitacionais populares seriam construídos em bairros tradicionais próximos aos centros de grandes cidades e que tivessem também boa infraestrutura pública de saúde, educação e transporte, a fim de promover integração social entre diferentes grupos nos espaços públicos e também ofertar serviços coletivos de maneira acessível aos mais vulneráveis. Ademais, poderiam ser realizadas confraternizações com moradores antigos no dia de inauguração dos conjuntos habitacionnais para intensificar a interação entre os indivíduos. Dessa forma, o Brasil caminhará para um futuro com cidadãos mais empáticos e acolhedores.