Os desafios da ausência de consciência de privilégios na sociedade
Enviada em 16/02/2024
Define-se meritocracia como o alcance do poder por meio do merecimento. Embora, na realidade, a meritocracia não exista na sociedade devido às diversas desigualdades sociais e de oportunidades. É nesta perspectiva que a ausência de consciência de privilégios na coletividade representa um desafio na luta não só por igualdade, mas por equidade social. Prova disso foi a palestra motivacional realiza-da pela artista Lívian Aragão e que recebeu duras críticas do público por desconsi-derar seus privilégios obtidos desde o nascimento.
Nesse Sentido, conforme a Constituição de 88, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Entretanto, na realidade, estruturalmente uma parcela da população seja privilegiada devido à polarização da sociedade e às questões sociais. Acerca disso, a falta de percebimento da posição de privilégios não impede sua existência e, ainda, embota lutas sociais por tratar desiguais como iguais, como evidencia o personagem Earn da série Atlanta, quando diz não ter tempo para investimentos e precisa comer hoje, não em setembro.
Ademais, essa falta de percepção é o que perpétua estereótipos e precon-ceitos, pois ignora o fato que certos grupos sociais, como negros, pobres e perife-rizados, até hoje não possuem acesso ao básico, como saúde e educação de quali-dade, saneamento e comida. Em razão, da injustiça social praticada pelas socieda-des, no geral, quando tratam desiguais de forma igualitária, como fica evidente quando os ricos pagam menos impostos no país do que professores, enfermeiros ou policiais, segundo a BBC. Sob essa óptica, esses privilegiados são os que mais contribuem para a discriminação e rotulagem, como é ressaltado no lema do Primo Rico, “Liberdade ou mediocridade: a escolha é sua! ”.
Portanto, a falta de reconhecimento de vantagens obtidas na sociedade é um obstáculo para a promoção da verdadeira equidade e justiça social. Então, cabe ao governo implantar políticas justas para concorrência de cargos com objetivo de estimular a equidade entre as pessoas por meio da aplicação de provas objetivas, discursivas e de títulos, como nos concursos públicos. Ainda, cabe a ele estimular o educação de qualidade para minorar as desigualdades por meio de programas de ensino e capacitação de jovens e adultos, como o Proeja.