Os desafios da ausência de consciência de privilégios na sociedade
Enviada em 11/10/2024
Na antiga polis grega, surgiu o ideal democrático do direito que era restrito a uma pequena parcela de privilegiados, chamados de cidadãos. Analogamente, apesar de no Brasil hodierno a cidadania expandir-se a todos, poucos indivíduos usufruem plenamente dos privilégios desse sistema e, infelizmente, é raro aqueles conscien-tes disso, desconhecimento que caracteriza uma crise. Assim, a fim de atenuar se-us desafios, deve-se apontá-los: a manutenção da opressão e a descriminação.
Diante desse cenário, evidencia-se a preservação da dinâmica opressiva como consequência direta da ausência do reconhecimento das benesses. A respeito dis-so, no livro “Pedagogia do oprimido” de Paulo Freire, é elucidado que, quando uma pessoa detentora de recursos sociais escassos não compreende, através da educa- ção libertadora, o seu lugar no mundo, ela tende a agredir os menos abastados. Logo, fica claro que se os beneficiados pela sociedade brasileira forem libertados pelo ensino, esse mecanismo de agressão potencialmente ruirá.
Ademais, explicita-se um nexo causal entre a problemática em questão e a puni- ção simbólica dos grupos minoritários. Isso porque, de acordo com a ética protes-tante de Max Weber, nos primórdios da civilização moderna havia a concepção de que os dotados de riquezas materiais e socioculturais eram abençoados e benevo-lentes, enquanto os necessitados, visto como pecadores, eram amaldiçoados. Em paralelo nota-se, no realidade nacional atual, que essa conjuntura histórica perdu-rou de tal forma a justificar as injustiças contra as minoriais, uma vez que os privile-giados não estão conscientes dos reais motivos dessa desigualdade.
Em suma, é indubitável dizer que a ausência de consciência dos privilégios na so-ciedade impôe desafios à democracia brasileira. Dito isso, cabe às instituições de ensino, responsáveis pela formação intelectual dos novos cidadãos, alocar a men-talidade dos alunos no seu devido lócus social, por meio de disciplinas ministradas por pedagogos especializados, objetivando substituir a agressividade classista pela empatia. Além disso, também é dever das mesmas entidades docentes, fazer com que os estudantes vizualizem as verdadeiras razões da descrepância socioeconô-micas, intuindo combater a errônea visão histórica supracitada. Dessa forma, ate-nuar-se-á o desconhecimento em discussão.