Os desafios da ausência de consciência de privilégios na sociedade

Enviada em 04/02/2025

A constituição brasileira de 1988 prevê, em seu artigo quinto, o direito à igualidade. No entanto, sabe-se que esse princípio constitucional não é uma realidade para a maioria dos cidadãos; tendo em vista, que o Brasil é um país o qual a desigualdade social é muito prevalecida. Por isso, deve-se analisar como o mito da meritocracia e o descaso midiático influenciam nesse problema, que é a falta de consciência de privilégios sociais.

Primeiramente, é preciso destacar como a invisibilidade do assunto nas mídias contribui com a manutenção dessa ausência. De acordo com uma pesquisa realizada pelo G1, o assunto sobre desigualdade só foi abordado nas mídias televisivas quatro vezes no ano de 2021. Explicitando como a mídia se abstém de seu papel de concientização social, visto que, ela não apresenta a problemática de forma recorrente.

Ademais, é importante ressaltar como o conceito elitista, conhecido como mito da meritocracia, impulsiona a permanência da questão. De acordo com o sociólogo Sidney Chalhoub, esse conceito irreal presente na sociedade atua fomentando as desigualdades sociais; uma vez que aborda um falso conceito de oportunidades iguais para todos e que por isso, a ascensão social depende unicamente do indivíduo e não do meio o qual ele vive. Explicando como essa falsa propaganda compactua com a ideia de que não há privilégios entre as classes sociais.

Diante do exposto, é dever do Poder Legislativo criar uma lei que obrigue as mídias televisivas a incluir, de forma semanal, programas que apresentem a desigualdade social de uma forma conscientizadora. Isso deve ocorrer por meio da implementação de programas na grade das emissoras, e se aplicar tanto para os canais abertos quanto para os privados. Para que ocorra uma conscientização eficáz, e discursos elitistas e irreais sejam abolidos da sociedade contemporânea brasileira.