Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 21/10/2025
O escritor José Saramago, na obra “Ensaio Sobre a Cegueira” utiliza a metáfora da “cegueira moral” para explicar a cegueira intencional da população a cerca das mazelas da sociedade. De maneira análoga, mesmo após 30 anos da publicação do livro, a população ainda se encontra presa na “cegueira moral” ao fechar os olhos para os desafios da formação de professores no Brasil. Diante disso, cabe refletir sobre a desvalorização moral e monetária dos alunos da área e sobre a falta de incentivo governamental diante dos profissionais formados.
Nesse contexto, é válido considerar a falta de apoio como principal fator causador da problemática. Diante disso, o estudante, ao ser desestimulado, não cogita os cursos de licenciatura, ou até mesmo desiste da sua graduação. Segundo o filósofo Byung-Chun Han, na obra “Sociedade do cansaço”, a pressão constante de ser bem-sucedido transforma o sujeito em um explorador de si, causando um estado de exaustão emocional. Desse modo, o aluno se coloca em estado depreciativo ao comparar seu curso com outras profissões - estas que recebem uma melhor valorização monetária e social - , dificultando a conclusão de sua formação.
Ademais, é urgente admitir a falta de incentivo governamental como um fator crucial para compreender os desafios presentes na temática. O advogado Nelson Mandela diz que: A educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo. Sob esse viés, subentende-se que o profissional da educação deveria ser devidamente incentivado, uma vez que é reconhecida sua importância na formação do corpo social. Entretanto, essa realidade não condiz com a sociedade brasileira, já que o incentivo monetário é quase nulo. Assim, pode-se compreender que o Governo - ao não assegurar incentivos fiscas - colabora para os desafios da formação desses profissionais
Portanto, ainda que não seja possível retirar toda a população da “cegueira física”, é imprescindível que o Ministério da Educação atue na criação de subsídios. Isso deve ocorrer por meio de incentivos fiscais - que devem ser alocados em políticas públicas -, de modo que sejam usados como “recompensa” para aqueles que concluirem a graduação, com a finalidade de diminuir os casos de evasão do curso e para que acabem os desafios da formação de professores no Brasil.