Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 02/04/2021
O Brasil tem 2,6 milhões de professores na educação básica e superior, o que equivale a 1,2% da população, de acordo com o Censo Escolar produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2019. Maior parte desses profissionais se trata de educação básica, o que corresponde a 2,2 milhões, sendo que 77% desse número se trata de rede pública. O piso salarial é considerado baixo, com média de menos de três salários-mínimos. Ademais, a educação brasileira tem passado por crises ao longo dos anos, com a diminuição de repasse de recursos financeiros para Ministério da Educação (MEC). Logo, é perceptível os desafios da formação de professores no Brasil, devido à omissão do Estado e do depreciamento por parte das pessoas.
De fato, o principal empecilho é a falta de valorização do docente por parte do governo. Esse cenário é constatado pelo OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em 2020, que revela a média salarial dos professores brasileiros está entre os piores do mundo. Isso é reflexo do descaso do Estado com a educação brasileira, visto que salários baixos não garantem condições dignas de sobrevivência. Assim, o ofício não atrai pessoas com ambição salarial e concorrência para melhor selecionamento de educadores no Brasil, refletindo numa educação ruim para os discentes.
Outrossim, outro grande problema é a falta de valorização por parte da população. Essa realidade é constatada pelo Jornal Globo, que verifica que o país é o primeiro no ranking global de agressão à educadores, em 2020. Com isso, a violência sofrida no exercício do magistério mostra que grande parte do povo brasileiro não tem consciência da importância do papel do professor e da educação na atualidade. À vista disso, cria-se um ciclo vicioso de desrespeito aos educadores e uma sociedade com níveis inadequados de ensino.
Portanto, a soma da desvalorização governamental e da população tem como causa e consequência um país cada vez menos consciente da importância dos profissionais na educação no Brasil. Desse modo, deve o Governo Federal, com ajuda dos estados e munícipios, estabelecer aumento salarial para essa categoria profissional. Essa ação deve ser realizada por meio da ratificação de lei, por parte do Congresso, do Senado e do Presidente da República, que fixa valor de cinco salários-mínimos para todos os educadores. Essa lei, também, deve permitir aumento salarial conforme nível de especialização e anos trabalhados. Dessa forma, será possível garantir melhor valorização e respeito aos docentes no país.