Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 19/04/2021
Vale destacar, preliminarmente, o desamparo governamental como ponto crítico da questão. Sob essa óptica, a criação da Constituição Federativa, há 32 anos, instituiu como prioridade pública a garantia plena da capacitação democrática de educadores. Contudo, percebe-se que a teoria diverge da realidade, haja vista dados do Censo Escolar de 2014 que indicam cerca de 1/4 dos mestres atuantes como subqualificados. Tal panorama, portanto, fere direitos basilares e deve ser alterado.
Ademais, a desvalorização crítica, enfrentada até mesmo por tutores amplamente preparados, torna-se tópico relevante da conjuntura. Nessa perspectiva, o sociólogo alemão Karl Marx defende que a coletividade tende a priorizar unicamente os grupos com elevado poder aquisitivo, marginalizando as demais classes. Assim sendo, professores têm seus serviços e contribuições desrespeitados e vinculados apenas ao capital econômico, a desconsiderar sua relevante função transformadora. Logo, medidas devem ser postas em prática para solucionar as questões.
Diante disso, compete ao Ministério da Educação promover um projeto de elevação da preparação e do reconhecimento docente, por intermédio de parcerias com a Receita Federal. Por sua vez, a colaboração deve destinar 10% da arrecadação tributária anual para ofertar cursos e palestras gratuitas aos educadores e demais cidadãos das diversas áreas do saber. Dessa maneira, há de se cumprir a meta de aprimoramento curricular e de consicentização acerca do valor do ensino para o progresso, a tornar, por essa via, o ideal de Paulo Freire aplicável e concreto.