Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 04/05/2021
No filme “Uma professora muito maluquinha”, conta-se a história de uma mulher cuja formação para lecionar e consequente modo de ensinar eram diferenciados, mas eficientes, pois ela sabia se adequar à realidade dos alunos e apresentar coisas importantes para o futuro profissional e social deles. Saindo da ficção, no Brasil atual, a formação de professores, muitas vezes, não capacita os docentes para que exerçam tal profissão e ensinem, como no filme, de uma forma eficiente e atrativa para os alunos, tornando necessária a discussão acerca da falta da vivência de sala de aula no início da carreira assim como do contínuo aprendizado enquanto professor.
É importante entender, de início, que um dos desafios da formação de professores no Brasil é a falta de uma real preparação durante a graduação. Isso se deve ao fato de que, no período em que estão na universidade, os futuros docentes não têm a oportunidade de vivenciar sua profissão para se desenvolver no verdadeiro exercício dela, fazendo com que eles começem a lecionar sem antes ter tido nenhum ensino prático acerca disso, apenas sabendo da teoria, que nem sempre pode ser aplicada da mesma maneira, principalmente na realidade diversa do Brasil. Dessa forma, aqueles que deveriam evitar a proliferação da “educação bancária” - uma forma de educar que apenas deposita conteúdos nas mentes dos alunos sem lhes proporcionar experiências práticas que permitam a aplicação desses conteúdos, como afirmou o pedagogo Paulo Freire - são ensinados dessa maneira, fazendo com que tal problemática seja perpetuada por causa de lacunas na sua formação.
Percebe-se, ainda, que, após a graduação e o início do exercício da profissão, muitos professores brasileiros não mais passam por processos de formação capazes de aperfeiçoá-los. Isso acontece devido à falta de incentivo por parte do poder público na educação como um todo, o que afeta a formação continuada dos docentes e faz com que eles permaneçam inertes diante das mudanças no mundo e na forma de pensar e aprender dos alunos, sem se desenvolver e se adequar à realidade contemporânea. Desse modo, o Estado se omite do dever de garantir uma educação de qualidade, como previsto pela Constituação de 1988, visto que ele não incentiva de forma eficiente os professores a vivenciarem um aprendizado contínuo, que não se limita apenas à graduação, mas permite que eles sejam capazes de promover um ensino satisfatório para os alunos brasileiros.