Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 01/05/2021
Durante a Antiguidade, o trabalho físico era uma atividade desvalorizada e associada aos escravos e à parcela mais pobre da população. Em contrapartida, o ofício intelectual era uma prática de grande prestígio social, em que se reconhecia o valor dos indivíduos responsáveis por transmitir os conhecimentos. Contudo, percebe-se, atualmente, o oposto dessa valorização no Brasil, uma vez que diversos professores sofrem com desafios para suas formações de qualidade, como a perpetuação de um ensino retrógrado nas universidades e o desprestígio dado a essa profissão pela sociedade.
A priori, é válido ressaltar que um dos principais desafios na formação de professores no país é o modelo de aprendizagem aplicado por diversas instituições disciplinares. Tal perspectiva baseia-se na ideia do educador Paulo Freire, o qual afirma que as escolas, atualmente, adotam uma “educação bancária”, em que se valoriza o ensino conteudista, em detrimento à construção crítica e à realidade do aluno. Nesse viés, nota-se que diversas universidades, além de propagarem tais métodos, praticam esses recursos retrógrados em suas aulas, as quais permitam o docente ter domínio sobre o conteúdo, mas que não seja capaz de transmitir didaticamente esse conhecimento de forma mais acessível. Desse modo, cria-se profissionais despreparados, já que certas habilidades para a prática pedagógica são negligenciadas, como a aptidão de se adequar a realidade e a singularidade de cada indivíduo.
Ademais, é necessário destacar que outro desafio da formação de professores é a desvalorização dessa profissão no Brasil. Tal concepção está relacionada à teoria do “Habitus”, do sociólogo Bourdieu, o qual afirma que os indivíduos são formados de acordo com as ideologias do ambiente em que vivem. À vista disso, observa-se que, ao longo dos anos, criou-se uma cultura que, infelizmente, não reconhece o valor da educação de qualidade, a qual é associada à classe dominante e considerada inacessível a parte mais carente da sociedade. Nesse sentido, essas convicções prejudicam não só o ensino brasileiro, mas também a valorização dos docentes. Dessa maneira, esses profissionais são expostos a baixos salários, à falta de infraestrutura, além de cortes de investimentos e políticas, os quais dificultam a atração de novos trabalhadores e a plena atuação desses sujeitos.
Logo, para garantir a formação dos professores,as universidades devem superar o ensino retrógrado, por meio de didáticas que valorizem a educação conscientizadora, como a criação, pelos docentes, de metodologias que estimulem o senso crítico e a participação social dos alunos, além de projetos que os insiram cada vez mais cedo no ambiente escolar, a fim de serem mais qualificados. Ademais, o Estado deve valorizar essa profissão mediante aumento salarial, maiores investimentos em escolas públicas e cursos especializantes gratuitos, visando a melhoria da aprendizagem.