Os desafios da formação de professores no Brasil

Enviada em 03/05/2021

Como diria D. Pedro II: “Se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro”. Infelizmente, a maioria dos brasileiros não compartilham do mesmo pensamento do segundo imperador do país, visto que desejar seguir a profissão de professor, atualmente, é ser julgado com lástima pela sociedade. Tal negligenciamento se deve ao fato do precário salário que os atuantes da área recebe e os riscos envolvidos quando se trabalha na mesma.

No Japão, a profissão de professor é vista como honrosa e é um dos cargos que oferecem maiores salários. No Brasil, é comum haver protestos organizados por professores tanto em universides ou/e escolas públicas tanto em particulares, geralmente causada por apelo à maiores remunerações ou reinvidicar a falta ou atraso delas. É fundamental pontuar que esse fator pode ser responsável pela falta de interesse dos alunos para a atuação no ramo. Estudo da A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que a média salarial dos professores no Brasil está entre as piores entre os países membros.

É comum, por convenção social, a associação do ambiente escolar como um local onde a educação e o respeito prevalecem, mas nem é sempre assim. Infelizmente, não é apenas nas ruas em que os brasileiros estão sujeitos à agressões, no campo estudantil também é presente, fato esse que torna desmotivador o interesse pela área. Dados divulgados sobre uma pesquisa feita pelo Sindicato dos Professores de São Paulo apontam que mais da metade dos docentes da rede estadual de ensino afirmam já ter sofrido algum tipo de agressão, sendo a mais comum a agressão verbal (44%), seguida por discriminação (9%), bullying (8%), furto/roubo (6%), e agressão física (5%).

A falta de valorização e a violência contra os professores andam de mãos dadas, se houvesse um maior respeito pelos atuantes da área educacional, não haveria um índice tão alto de agressões sofridas pelos  os mesmos. Tal fato se da pela falta de debate ou de propostas práticas para lidar com estes problemas. É de extrema necessidade a intervenção do Ministério da Educação (MEC) para incluir palestras e atividades escolares que estimulem o convívio social pacífico e o respeito desde o ensino fundamental. Além disso, órgão também deveria reajustar o piso salarial dos professores e garantir que eles sejam remunarados, para isso contaria com a fiscalização do Ministério Público Federal (MPF), consultando o sindicato. Assim, o ambiente escolar teria uma atmosfera melhor para os estudantes e  o corpo docente, além de que aumentaria o número de pessoas interessadas na profissão de professor, formando mais profissionais experientes na área.