Os desafios da formação de professores no Brasil

Enviada em 02/05/2021

O seriado estadunidense “Garota Conhece o Mundo” apresenta um professor de história que tem um método de ensino diferente, o qual atraí o interesse dos alunos, dialoga com a realidade deles e os fazem refletir e mudar alguns de seus atos. Fora da ficção, isso é raro em grande parte das salas de aula do Brasil, pois a parte dos professores, infelizmente, não têm um preparo adequado para fazer  algo parecido. Então, a baixa atratividade da carreira docente e a ausência de carga horária suficiente para  eles se capacitarem são desafios para a formação de educadores qualificados no país.

A priori, faz-se fundamental analisar a baixa atratividade da carreira docente no Brasil. Enquanto que, em Singapura, os melhores alunos do ensino médio são estimulados, pelo Estado, a se tornar professores por meio de auxílio financeiro e condições atrativas de estudo e carreira. No Brasil, o Governo Federal faz poucos esforços para atrair estudantes aplicados a cursar pedagogia ou cursos de licenciatura. Somado a isso, há uma baixa remuneração a essa imprescindível profissão e diversas dificuldades estruturais nas escolas. Assim, a maioria dos brasileiros não se interessam por essa área, pois não há uma perspectiva de valorização e investimento, como há em Singapura.

Ademais, é imprescindível parlamentar acerca da ausência de carga horária para o docente investir na capacitação dele. Nesse sentido, segundo o Ministério da Educação, aproximadamente, 5 em cada 10 professores de ensino médio, trabalham dois turnos e em mais de uma escola, além de terem que preparar aulas e provas para os alunos. A partir desse dado, fica claro que essa classe trabalha muito, por isso muitos deles não têm horário livre para investir em uma formação continuada, isto é, cursar uma pós-graduação, um mestrado ou participar de um congresso educacional e, assim, aprimorar o método de ensino para se adequar às necessidades dos estudantes atuais. Logo, o ensino de milhões de brasileiros é comprometido pela ausência de capacitação dos professores.

Portanto, fica evidente o quão é necessário para a educação brasileira o investimento na formação de professores. Sendo assim, o Congresso Nacional deve dar prioridade a valorização deles por meio da elaboração de uma Lei de Incentivo à Docência, em diálogo com a sociedade civil, a qual amplie o piso salário dos educadores para 10 salários mínimos e limite a carga horária semanal, a fim de atrair estudantes à essa área e ampliar o número de docentes que tenham feito formação continuada. Dessa forma, os professores serão, de fato, valorizados e capacitados para esse imprescindível dever na sociedade.