Os desafios da formação de professores no Brasil

Enviada em 12/05/2021

Paulo Freire, no livro Pedagogia do Oprimido, afirma que educar é mais do que transferir informações é formar cidadãos críticos e atuantes. Nesse contexto, discutir os desafios da formação de professores no Brasil é fundamental para a construção de uma sociedade melhor estruturada. Historicamente, a formação em licenciaturas no Brasil possui um déficit estrutural que permeia por questões de  baixo investimento, grades curriculares sem aporte específico e falta de valorização profissional. Ademais, é importante ressaltar que a mercantilização do ensino com a formação de conglomerados educacionais pautados exclusivamente no lucro contribui para o sucateamento da formação de professores.

Em primeiro momento, é importante ressaltar que a falta de investimento na formação de professores é fator preponderante na desestruturação dos processos educacionais no Brasil. Segundo o Ministério da Educação (MEC), apenas no ano de 2019, 4,2 milhões de reais foram deixados de investir nos cursos de licenciatura no Brasil. Insta mencionar, o contigenciamento de gastos em universidades públicas que chega a 30% em alguns períodos, desestruturado um já débil sistema educional. Ademais, após a graduação essa realidade torna-se ainda mais caótica, o não cumprimento do piso salarial pelas escolas, as jornadas de trabalho extenuantes e a falta de formação continuada faz com que a saúde física e mental dos professores seja abalada progressivamente. Nesse contexto, o Ministério da Saúde adverte que os índices de professores com transtornos psicossomáticos cresceu em torno de 37% entre os anos de 2018 e 2019.

Além disso, dentro de um contexto neoliberal com a busca por lucros exponenciais, os conglomerados de ensino a distância tem crescimento absurdamente. Segundo dados do MEC, o número de licenciaturas a distância no Brasil cresceu em mais de 56%, o que remonta a uma discussão pedagógica acerca de suas práticas de ensino. Ter um número maior de cursos de licenciatura não é sinômino de maior qualidade, diariamente cursos são abertos sem um aporte estrutural básico, sem práticas de estágio, ou ainda, com grades curriculares paupérrimas que favorecem apenas o lançamento no mercado de trabalho de profissionais sem uma formação consolidada.

Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação o investimento em formação de professores com um melhor aporte teórico, estrutural e o estabelecimento de progressões de carreira dos docentes. Para tanto, por meio do cumprimento de um plano nacional comum de formação de professores, residências pedagógicas e formações continuadas com bolsa de estudo, pode-se atingir que a educação deixe de ser meramente um objeto de desilusão, mas um mecanismo comum de desenvolvimento no Brasil.