Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 24/05/2021
O exame Pisa tem o objetivo de avaliar e comparar o nível educacional de jovens de vários países. O Brasil, nas últimas edições dessa prova, ficou entre os últimos colocados, fato que gera preocupação para a sociedade brasileira. Um dos evidentes elementos envolvidos nesse contexto são os desafios na formação dos professores, dentre os quais dois serão analisados: cortes de investimentos governamentais na área educacional e o projeto de lei “Escola sem Partido”.
Nesse sentido, é importante explicitar primeiramente que a contenção de gastos públicos representa um desses desafios. Como exemplo, no Brasil, em 2019, o governo federal realizou cortes de verbas destinadas à educação, especialmente às universidades, o que gerou indignação por parte do magistério – quem vive a realidade do meio educacional. Cortes como esse ameaçam agravar os inadmissíveis problemas de sucateamento e de baixos salários pagos aos profissionais da área. Desse modo, tais contingenciamentos são um dos desafios que fortalecem as pesadas barreiras que se impõe aos futuros professores durante sua formação, como a da desmotivação e a da desvalorização.
Outrossim, é necessário pontuar que o projeto de lei “Escola sem Partido” representa, em alguma medida, entrave na formação dos professores. O referido projeto pretende aumentar o controle sobre eles com o intuito de evitar doutrinação ideológico partidária. Entretanto, esse cenário é sentido pelos educadores como grande ameaça de censura. Sob essa ótica, aqueles estudantes em formação nas áreas abrangidas pela licenciatura se sentem acuados diante de tal lei, a qual representa, para eles, utilizando as ideias de Foucault, inoportuno “vigiar e punir” o qual quer-se acrescentar. Dessa forma, tal projeto de lei revela-se como um dos delicados desafios à formação de professores no Brasil.
Diante disso, portanto, é essencial que se considere solução que alivie o sufocante cenário abordado anteriormente. Assim, cabe ao ministro Paulo Guedes e ao Ministério da Economia, por meio do desenvolvimento de um plano de investimentos que priorize a educação, possibilitar maior destinação de verbas públicas à infraestrutura das escolas e universidades – gerando ambiente digno e adequado de trabalho – e a aumento salarial anual para os professores, a fim de que esses sintam mais valorização e menos peso provindo dos desafios existentes nas suas formações. Feito isso, o Brasil estará no caminho para desobstruir o caminho de geração de professores, assim como de uma das profissões mais importantes para a sociedade.