Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 15/05/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e problemas. Fora da ficção, vê-se que na realidade contemporânea brasileira ocorre o oposto do que o autor prega, uma vez que existem desafios sociais como a formação de professores qualificados, o que impede a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de investimentos governamentais na base educacional, quanto do entrave social de valorização dos docentes, os quais não recebem o devido reconhecimento nacional.
Sob essa perspectiva, é válido ressaltar o aspecto supracitado acerca da negligência governamental no âmbito educacional, sobretudo, nos baixos investimentos na capacitação dos profissionais da educação. De acordo com os dados do Censo Escolar, entre os 2,2 milhões de professores que atuam na educação básica, 24% não possuem a formação adequada. Na esteira dessa ideia, nota-se a falta de prioridade governamental em políticas públicas que priorizem a formação do educador brasileiro, o que favorece a formação de lacunas no preparo do docentes para a atuação profissional. Além disso, o deficitário cenário de investimentos acrescido a baixa remuneração, contribuem para que cada vez menos jovens estejam interessados em ingressar na profissão. Assim, fica claro que o descaso governamental para com os docentes é um desafio a ser solucionado, sobretudo na qualificação.
Também merece destaque, nessa discussão, a baixa valorização dos educadores perante a sociedade, resultado do baixo status que a profissão fornece e a falta de empatia social, que considera os professores como meros “escravos da educação”. Na obra “Modernidade Líquida”, o escritor Bauman defende que a pós-modernidade é influenciada pelo individualismo, em virtude disso, há como consequência, a falta de empatia, pois para colocar-se no lugar do outro é necessário deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão da valorização dos profissionais da educação funciona como um obstáculo na formação de docentes qualificados, visto que profissões de maior status detêm maior valor social, o que desmotiva a busca constante por melhoria dos professores.
Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas que promovam uma adequada formação de professores em território nacional. A priori, compete ao MEC( Ministério da Educação e Cultura)- cuja função é zelar pelo sistema educacional brasileiro-, promover a capacitação profissional dos professores em atividade, por meio do fornecimento de cursos de qualificação aos docentes de forma gratuita, em que serão tratados métodos e estratégias de ensino, com objetivo de potencializar o currículo dos profissionais e fornecer maior qualidade de ensino aos alunos. Com essas ações, espera-se transformar o cenário educacional brasileiro, resultado da formação de exímios educadores.