Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 14/07/2021
O poeta Carlos Drummond de Andrade, no poema “No Meio do Caminho”, descreve o momento angustiante do eu lírico ao lidar com uma pedra, a qual impedia o seu caminho. Fora do contexto poético, a formação de professores, no Brasil, também enfrenta obstáculos. Essa problemática persiste devido aos problemas no âmbito cultural e financeiro.
Em primeiro lugar, a mentalidade instaurada na cultura nacional é responsável pelos desafios enfrentados para a criação de mestres. Sobre isso, o sociólogo Emille Durkheim, em seu conceito sociológico “fato social”, argumenta que a ética individual é impulsionada pelas vontades coletivas. Dessa maneira, tal cenário social descrito pelo estudioso é notório na realidade brasileira, visto que a consciência pública sobre os cursos de licenciatura é, geralmente, degradante devido à baixa remuneração. Essa situação corrobora para o desinteresse dos jovens na vida de professor, o que, consequentemente, coloca a profissão de educador como secundária nas opções de carreira. Isso é inadmissível, posto que os professores são essenciais para a formação de qualquer indivíduo, logo, deveriam ser valorizados.
Em segunda análise, a falta de investimento na educação configura-se como empecilho para o surgimento de professores. A respeito disso, o sociólogo Louis Althusser, em sua tese marxista, afirma que os aparelhos estatais são utilizados de forma a privilegiar ramos do interesse da classe dominante. Tendo em vista esse fato, percebe-se que cursos considerados de elite são os privilegiados no recebimento de verbas e incentivos tecnológico, enquanto cursos de licenciatura são colocados em segundo plano por não serem vistos como fundamentais, o que é observado no corte de financiamento feito pelo Estado para a formação de futuros educadores. Logo, o Brasil, mais uma vez fica para trás no quesito educação e priva os cidadãos de uma educação de qualidade pela escassez de professores qualificados.
Diante dos fatos supracitados, percebe-se que medidas interventivas são necessárias para contornar os problemas de cunho cultural e financeiro. Para isso, é preciso que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, financie propagandas de cunho educativo, por meio das redes sociais, a fim de alcançar o máximo de brasileiros e conscientizar acerca da importância dos professores para um Brasil democrático. Além disso, é necessário que o Poder Executivo destine verbas suficientes para as instituições federais e seus cursos de licenciatura, mediante decretos federais, para que não haja mais sucateamento na estruturação de educadores. Assim, o país estará apto para transpor a pedra que está em seu caminho.