Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 28/05/2021
Dentre as muitas percepções veementes de Victor Hugo, expostas no livro intitulado “As contemplações”, está a de que “o progresso da roda constante sobre duas engrenagens: faz andar uma coisa esmagando sempre alguém”. Ao transcender estas palavras do poeta, dramaturgo e político francês para o cenário do desenvolvimento educacional de professores no Brasil, vemos o baixo reconhecimento como agente limitante da melhoria técnica e profissional. Sendo assim, a conjuntura de historicidade na defasagem salarial e no controle de qualidade do ensino superior acaba por explicitar ainda mais este conflito. Entretanto, deve-se ajustar as engrenagens, na máquina social, para mitigar esta problemática.
Ao longo da história, o professor teve sua valorização em declínio. Durante o período da Idade Média tudo o que a humanidade sabia estava restrito aos mosteiros e sua pequena elite aristocrática. Porém, depois do início da Idade Moderna e do Renascimento Cultural, atribuiu-se à figura do professor o papel de transmissor de saberes. Contudo, apesar de por muito tempo esses profissionais terem tido salários dignos, nas últimas décadas com o baixo investimento governamental na educação, a remuneração dessa classe despencou profundamente. Por conseguinte, depreende-se que sem essa valorização fiscal esses educadores acabem estagnados conquanto ao progresso técnico e didático.
Ademais, é nítido que o desempenho das instituições de ensino superior é determinante para que toda a classe seja valorizada. À vista disso, é intuitiva a relevância da Constituição Federal de 1988, em que é descrita no Artigo 205 o direito irrefutável a uma qualidade padronizada nos profissionais da educação. Essa orientação legislativa busca uma maior coerência nos cursos de nível superior, além da garantia de que os educandos tenham educadores preparados para fornecer qualidade de ensino. Posto isso, é estritamente necessária uma intervenção social de equidade neste conflito.
Em virtude dos fatos expostos e em consonância às palavras aqui pautadas, conclui-se que a desvalorização financeira dos professores acaba influenciando a queda na qualidade dos profissionais. Assim, para ajustarmosmos essas “engrenagens”, é primordial que o Ministério da Educação implemente um projeto público de bonificação salarial aos professores que estiverem cursando alguma pós-graduação, curso técnico ou participando de projetos ligados à melhoria educacional. Sendo que para o devido funcionamento, o professor passe por avaliações de qualidade técnica anuais. Quando conseguirmos alinhavar a qualidade dos educadores e sociedade, engrenagens essenciais para a melhoria da educação, a comunidade brasileira ampliará seu progresso no combate às desigualdades educativas.